Casa Branca adia novamente reunião sobre Acordo de Paris

(Foto: Gerald Herbert/ AP)

A reunião de conselheiros americanos para decidir a permanência dos Estados Unidos no Acordo de Paris foi adiada novamente devido a “conflitos de agenda”.

Os conselheiros e funcionários do gabinete deveriam se reunir nesta terça-feira (09) para resolver se Trump deve manter sua promessa de campanha de retirar os EUA do acordo climático. Porém o governo enfrenta pressão interna e externa para manter o seu compromisso com o combate do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Ao ratificar o tratado climático, os Estados Unidos se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa entre 26% e 28% abaixo dos níveis de 2005 até 2025. Um nível que Trump provavelmente não obedecerá com a sanção de medidas que favorecem a indústria do carvão e o desmembramento da Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Grupos empresariais, legisladores – incluindo vários republicanos – organizações ambientais e governadores pediram à Casa Branca que o país permaneça no tratado internacional. Muitas empresas e políticos vêem a situação como uma forma de proteger os interesses industriais americanos no exterior.

Para o ex-presidente Barack Obama, os Estados Unidos vão continuar na direção certa sobre as mudanças climáticas, mesmo que o processo desalecere na atual gestão.

“A mudança climática é um desafio que definirá os contornos deste século mais dramaticamente, talvez, do que qualquer outro. Por causa do debate atual em Washington, pode ser que as políticas se movam mais lentamente, mas estou confiante de que os Estados Unidos continuarão a avançar na direção certa”, afirmou Obama em uma conferência da indústria de alimentos em Milão.

E ele pode estar certo. Alguns governadores já se mostraram contra o posicionamento e as medidas de Trump sobre o aquecimento global. O prefeito de Chicago, Rahm Emanuel, por exemplo, republicou as páginas sobre mudanças climáticas da EPA no site da prefeitura.

A página de Chicago diz que a cidade “deseja reconhecer e atribuir esta informação à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e outras agências federais pelas décadas de trabalho que fizeram para avançar na luta contra as mudanças climáticas”. “Aqui em Chicago nós sabemos que as mudanças climáticas são reais e continuaremos a tomar ações para combatê-las”, afirma o site.

Para o prefeito, o governo Trump pode tentar “apagar décadas de trabalho de cientistas e funcionários sobre a realidade da mudança climática, mas enfiar a cabeça na areia não vai acabar com o problema”.

A União Europeia (UE) também tem lutado para persuadir Trump a manter o acordo. O chefe da política externa da UE, Federica Mogherini, pressionou o país americano a permanecer comprometido com o tratado global.

“As mudanças climáticas são reais e já estão afetando nosso ambiente de segurança, tudo está ligado, por isso continuamos esperando que os Estados Unidos encontrem uma maneira de permanecer comprometidos com o Acordo de Paris”, disse Mogherini ao Conselho de Segurança da ONU.

A União Europeia ganhou mais um aliado na questão: o presidente recém-eleito da França, Emmanuel Macron. Uma das porta-vozes do presidente francês afirmou que ele irá defender o Acordo de Paris durante sua conversa com Trump.

“Ele irá proteger o acordo sobre as alterações climáticas e certificar-se de estar vigilante na proteção do povo francês. A mudança climática é uma questão muito importante e sensível para os franceses. Ele disse (ao Trump) que ele iria proteger o que foi feito em Paris”, afirmou a porta-voz.

A Casa Branca anunciou que a decisão sobre a permanência dos Estados Unidos no Acordo de Paris seria tomada antes do encontro do G7 no final desse mês, mas não tem previsão para quando a reunião será reagendada.

Enquanto isso, representantes de quase 200 países, que ratificaram o acordo climático, estão em Bonn para discutir aspectos da implementação do tratado em seus países.

** Com informações da Reuters