Objetivo 7: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos

(Foto: Pixabay)

A substituição dos combustíveis fósseis por fontes de energias renováveis na matriz energética mundial é um caminho sem volta. O principal propulsor desta mudança é o Acordo de Paris, que visa frear o aquecimento global a partir da redução das emissões de gases de efeito estufa.

A matriz energética e de aquecimento é a atividade econômica que mais produz os gases de efeito estufa. Segundo o Painel Intergovernamental sobre as Ações Climáticas (IPCC), a energia gerada por combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo, representam 25% das emissões de todo o mundo.

Atualmente, 20% da energia consumida no mundo são originadas de fontes renováveis, entretanto a expectativa de crescimento do setor é animadora. Um estudo, realizado pela Rede de Energias Renováveis para o Século 21 (REN21) em parceria com a ONU Meio Ambiente, apontou que 100% da energia consumida no mundo até 2050 será proveniente de fontes renováveis e os custos desse sistema podem ser mais baratos do que o de combustíveis fósseis em dez anos.

Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos é o desafio proposto pelo sétimo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, cujas metas são:

7.1 Até 2030, assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia

7.2 Até 2030, aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na matriz energética global

7.3 Até 2030, dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética

7.a Até 2030, reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso a pesquisa e tecnologias de energia limpa, incluindo energias renováveis, eficiência energética e tecnologias de combustíveis fósseis avançadas e mais limpas, e promover o investimento em infraestrutura de energia e em tecnologias de energia limpa

7.b Até 2030, expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para o fornecimento de serviços de energia modernos e sustentáveis para todos nos países em desenvolvimento, particularmente nos países menos desenvolvidos, nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento e nos países em desenvolvimento sem litoral, de acordo com seus respectivos programas de apoio

O Brasil tem um amplo potencial para implantar fontes de energias renováveis e aumentar a sua eficiência energética. Os investimentos no setor têm gerado resultados positivos com o compromisso do país em diversificar a sua matriz energética por meio de leilões, que contratam energia pelo menor preço e garantem a preservação ambiental.

Desde 2009, a energia eólica é a fonte renovável que mais cresceu no país. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as usinas eólicas atingiram preços competitivos e impulsionaram a instalação de uma indústria nacional de equipamentos para atender a demanda deste mercado.

Em junho, o governo de São Paulo iniciou a fase de testes dos primeiros geradores de energia eólica do Estado. O projeto da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) visa estudar a implementação de fontes de energia renováveis.

Entre janeiro e maio deste ano, a produção de energia eólica cresceu 26,5%, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. O Rio Grande do Norte é o estado líder na geração de energia eólica com 1.076 MW médios, um aumento de 31% ao índice do mesmo período de 2016.

A geração de energia eólica atingiu 12 GW de capacidade acumulada no Brasil, que passou para o 9º lugar no ranking mundial dos principais países geradores de energia eólica. Segundo a ABEEólica, serão instalados mais 270 novos parques eólicos até 2020.

O setor de energia solar deve crescer 11 vezes este ano, segundo previsões de mercado, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Na cidade de João Pinheiro, no noroeste de Minas Gerais, a Empresa Brasileira de Energia Solar (EBES) inaugurou a primeira Fazenda Solar com modelo de assinatura para empresas. O projeto pioneiro tem capacidade de gerar 2.100 megawatts/hora (MWh). A expectativa é que em até três anos, 100 usinas de 5 MW devem ser viabilizadas no estado.

Quanto ao uso de carvão na matriz energética, o presidente Michel Temer vetou o artigo 20 da Medida Provisória (MP) 735/2016, conhecida como Lei de Conversão, que incentiva o uso de carvão mineral para geração de energia elétrica.

O Ministério de Minas e Energia apresentou no mês passado a Política Nacional de Biocombustíveis, também chamada de RenovaBio, um programa federal que propõe a expansão do uso de biocombustíveis no país.

De acordo com o ministro Fernando Coelho Filho, o Brasil tem potencial para produzir, aproximadamente, 50 bilhões de litros por ano até 2030, auxiliando na redução das emissões de gases poluentes até 2030.

No âmbito das cooperações internacionais, o Banco Mundial acordou uma parceria com a Eletrobrás para regularizar as redes elétricas de seis estados, gerando uma economia de US$ 70 milhões e luz para 4 milhões de brasileiros.

A Itaipu Binacional assinou um acordo de cooperação técnica com a gigante China Three Gorges Corporation nas áreas de inovação e tecnologia. Entre os documentos, está um protocolo de intenções para desenvolver ações conjuntas de pesquisa nas áreas de energia renovável.

O investimento em energia limpa também tem se destacado ao redor do mundo. A China é um dos maiores protagonistas no setor para reduzir as emissões de poluentes. O país anunciou o investimento de US$ 360 bilhões para criar usinas eólicas, hidrelétricas, solares e nucleares até 2020.

Os chineses estão construindo a maior fazenda solar flutuante do mundo, enquanto o grupo China Merchants New Energy (CMNE), em parceria com o Panda Green Energy Group, inaugurou a primeira usina solar em formato de panda do mundo.

Já a Suíça aprovou o Programa Estratégia Energética 2050, um plano que prevê o fechamento gradual das usinas nucleares e o aumento da geração de energia eólica, solar, geotérmica e biomassa.

Em contrapartida, os Estados Unidos retrocederam no setor. O presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva que anula uma série de medidas para frear o aquecimento global. Entre elas, o Plano de Energia Limpa, desenvolvido na gestão de Barack Obama, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa pela indústria do carvão e ampliar as fontes de energia limpa no país.

Apesar de o plano ter sido suspenso, cidades americanas continuam investindo em fontes de energia limpa. Em Miami, no estado da Flórida, foi aprovada uma lei que determina a instalação de painéis solares na construção ou reforma de residências.