Bioeconomia é caminho para desenvolvimento sustentável na Amazônia

(Foto: Marcos Correa/ Presidência)

O Vice-Presidente Gen. Hamilton Mourão afirmou que o Brasil deve centrar esforços no desenvolvimento da bioeconomia, modelo econômico e industrial que utiliza matérias-primas regenerativas em substituição aos recursos fósseis e não renováveis.

“O Brasil tem que se apresentar para o mundo como potência agroambiental, ligada exatamente à questão da exploração da nossa biodiversidade. A bioeconomia na Amazônia deve mapear todos os produtos que temos lá, como o açaí, castanha, cacau e óleos vegetais, por exemplo”, disse durante um debate virtual sobre inovação e ambiente de negócios na Amazônia, promovido pela frente parlamentar mista da bioeconomia.

Estudos realizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que a bioeconomia movimenta cerca de 2 trilhões de euros e gera 22 milhões de empregos no mundo todo. Até 2030, as expectativas são de que as biotecnologias representarão 80% da produção de fármacos, 50% da produção agrícola e 35% dos produtos químicos.

Esse percentual tem potencial para ser ainda mais representativo em países como o Brasil, que tem uma grande biodiversidade de fauna e flora. São mais de 100 mil espécies animais e cerca de 45 mil de vegetais, grande parte dela se encontra na Amazônia.

“A Amazônia brasileira possui mais de 500 milhões de hectares, 340 milhões ainda intactos; representa 20% da biodiversidade global. É um bioma onde ainda há muito o que descobrir pois ali uma nova espécie é descoberta ou descrita a cada três dias. A grande questão do debate é: quanto vale a floresta? Qual é o valor da floresta em termos de bioativos? Sem dúvida nenhuma é maior do que da floresta deitada, devastada se explorada de forma irracional”, argumentou Thiago Falda, presidente executivo da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI).

Mourão, que lidera o Conselho Nacional da Amazônia Legal, defendeu o uso das taxas das indústrias da Zona Franca de Manaus ou a criação de um “fundo da biodiversidade”, similar ao Fundo Amazônia, para financiar o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Com o financiamento, o vice-presidente disse que seria possível investir mais recursos no Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). O Conselho da Amazônia deseja transformar o centro em uma fundação pública de direito privado para melhorar a infraestrutura.

Para o diretor executivo do The Good Food Institute, Gustavo Guadagnini, a indústria de proteínas alternativas tem muito a ganhar com o desenvolvimento de produtos e novos ingredientes de alto valor agregado na região amazônica que utilizam a biotecnologia.

“O Brasil tem uma biodiversidade única, por isso também temos inúmeras possibilidades de gerar ingredientes inovadores com base em todas essas espécies de plantas amazônicas. O GFI acredita que uma agenda de bioinovação focada na região amazônica será um dos ingredientes essenciais para uma receita de sucesso na qual o Brasil poderá liderar globalmente a indústria de proteínas alternativas”, disse.