Encontro de Segurança Alimentar da América do Sul

(Foto: Jametlene Reskp/ Unsplash)

Aconteceu hoje o primeiro debate/alerta sobre Segurança Alimentar da América do Sul – fortalecer o relacionamento privado para garantir a segurança alimentar, na Universidade Presbiteriana Mackenzie. O encontro discutiu os problemas gerados pelo intervencionismo estatal em países da América do Sul e a redução do consumo nas sociedades.

Participaram o presidente da Confederação Nacional de Produtores Agropecuários da Venezuela, Aquilles Hopkins González; de Carlos Odoardo Albornoz, presidente da Federação Nacional de Pecuaristas da Venezuela; de Nilson Zambrano, professor da Fundácion Alberto Mariani e consultor de agronegócio; de João Martins da Silva Jr. presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária; do presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto; de Antônio Mello Alvarenga, presidente da Sociedade Nacional da Agricultura, e de Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das cooperativas Brasileiras.

A Carta Aberta dos Ex-Ministros da Agricultura do Brasil ao Governo Brasileiro foi assinada por 10 deles. Veja abaixo:

A IMPORTÂNCIA DO SETOR PRIVADO PARA MANUTENÇÃO DA SEGURANÇA ALIMENTAR – O QUE PODEMOS APRENDER COM A ATUAL CRISE NA VENEZUELA

Nos últimos anos, a Venezuela vem sofrendo graves problemas, entre os quais a incapacidade de garantir o abastecimento de alimentos à população: um problema gerado pela redução da produção agropecuária. Tal queda se deve, principalmente, aos recorrentes erros de políticas econômicas governamentais que, atualmente, controlam todos sistemas produtivos, incluindo o setor rural.

Sem análises sérias e consultas prévias ao setor privado, tais políticas geraram um aumento excessivo dos custos de produção — como nos preços de fertilizantes, defensivos, máquinas e equipamentos — e desequilíbrios nas cadeias produtivas, trazendo insegurança aos agricultores venezuelanos. Tudo isso acabou levando à redução da oferta e ao aumento de preços dos alimentos ao consumidor, o que acarretou na diminuição do consumo, e no incremento de efeitos negativos na saúde pública.

Essa situação deve piorar em 2019, uma vez que apenas 30% das áreas utilizáveis para atividades produtivas rurais na Venezuela foram plantadas. Tais terras ainda possuem o agravante de não terem sido devolvidas aos seus legítimos donos: são as unidades de produção que foram ocupadas indistintamente por Governo em anos anteriores.

Tal circunstância beira a tragédia nacional, fazendo com que lideranças venezuelanas se pronunciassem através de suas instituições para solicitar uma ação humanitária que resgatasse a condição de ingestão alimentar satisfatória para o povo venezuelano.

Sendo assim, nos juntamos aos apelos feitos ao Governo Brasileiro e à comunidade internacional para que se mobilizem no sentido de resolver a grave crise alimentar do país vizinho, inclusive chamando a atenção da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para o assunto. Simultaneamente, manifestamos nossa solidariedade aos setores produtivos da Venezuela por seguirem lutando para cumprir sua missão histórica de sustentar, entre tantas dificuldades, sua nobre atividade de abastecer os cidadãos consumidores.

Assinam: Antonio Cabrera, Alysson Paulinelli, Barroz Munhoz, Francisco Turra, Iris Rezende, Lazaro Barboza, Neri Geller, Pedro Simon, Reinhold Stephanes e Roberto Rodrigues.

COMPARTILHAR
Walter Santos é jornalista, diretor de tv e especialista em energia.