Olimpíadas Rio 2016: A primeira vez a gente nunca esquece

(Foto: Divulgação/ Rio 2016)

Após sete de anos de espera, os Jogos Olímpicos finalmente chegaram ao Rio de Janeiro, primeira cidade sede na América Latina a receber o evento esportivo.

Faltando poucos dias para começar as Olimpíadas, depois do escândalo da onça morta durante o revezamento da tocha, o caos reinava no Rio de Janeiro: atletas reclamando das condições dos apartamentos na Vila Olímpica dos Atletas; denúncias de estupros; princípio de incêndio e, para melhorar a situação, o governo carioca afirmou que estava falido.

O pessimismo e o sentimento de vexame tomaram conta do país. Até mesmo os mais otimistas, em relação aos Jogos, ficaram com um pé atrás, afinal a lembrança da cerimônia de abertura da Copa do Mundo em 2014 ainda estava viva na memória dos brasileiros. Então por que com a Olimpíada seria diferente?

Mas após a tempestade vem o Sol. E que Sol iluminou o Maracanã!

No dia 05 de agosto, a partir das 20h, o gramado do lendário estádio deu lugar a um espetáculo, que prometia fazer história como “a maior festa já vista no país”. Ao som de “Aquele abraço”, interpretada por Luiz Melodia, e cenas de pessoas praticando esportes em várias regiões do Rio, a cerimônia de abertura teve início.

As cores e a música deram lugar a uma mensagem importante. Enquanto o poema “A Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade, ecoava pelo estádio nas vozes das atrizes Fernanda Montenegro e Judy Dench, um menino procurava por algo em um labirinto de prédios. Ele para e se abaixa para ver uma flor nascer em meio ao caos da cidade. A cena faz alusão ao desmatamento para construir e, conseqüentemente, a falta de árvores nos centros urbanos.

(Foto: Stefan Wermuth/ Reuters)
(Foto: Stefan Wermuth/ Reuters)

Se em Pequim (2008) e em Londres (2012), o objetivo era mostrar a história das cidades anfitriãs e sua importância para o mundo, o Rio chegou com um recado global – alertou que se medidas efetivas para combater o aquecimento global não entrarem logo em vigor, não haverá mais Olimpíadas para celebrar.

Protagonismo global

Esta foi a primeira vez que a cerimônia de abertura abordou e defendeu o meio ambiente, apresentando dados e mostrando quais são os impactos – na prática – das mudanças climáticas para o planeta. Um dos momentos que mais chamou a atenção foi a projeção futurística de cidades ficando submersas por causa do aumento do nível do mar – consequência do derretimento das calotas polares.

O convite também foi global: uma das formas para combater os danos ao meio ambiente é por meio do plantio de árvores. Por isso, os atletas deixariam como legado ao Rio de Janeiro a primeira floresta olímpica da história.

Para simbolizar o compromisso com o futuro, cada país entrou acompanhado por uma criança carregando uma muda e cada atleta recebeu uma semente de árvore nativa do Brasil. Ao todo, 12 mil sementes serão plantadas no Parque Radical, no Complexo Esportivo de Deodoro, sendo 207 espécies diferentes, que representam cada delegação.

Os recipientes com as sementes se transformaram em “árvores”, formando os arcos olímpicos. Esse é um dos legados dos jogos 2016. Esse foi uma mensagem de compromisso com o futuro do planeta.

(Foto: Divulgação/ Rio 2016)
(Foto: Divulgação/ Rio 2016)

Para o jornal The Washington Post, “não foi apenas celebração e alegria, medalhas de ouro e orgulho nacional, mas sim uma mensagem clara sobre os desafios enfrentados pelo planeta e um lembrete nada sutil de que todos os países do mundo estão inexoravelmente ligados em seus destinos”.

Interatividade com o povo

Foi a primeira vez que a Pira Olímpica ficou fora do estádio e sim em local público, gratuito e com total interatividade com o Povo. Ao colocar a Pira na Candelária, a Rio 2016 permitiu que os turistas de todo o Brasil e do mundo, atletas de todas as mobilidades e os cidadãos fluminenses pudessem ver a pira, que teve apelos ecológicos e sustentáveis, com promoção da energia solar e eólica e baixa emissão de gases de efeito estufa.

Essa inovação foi aprovada por todos e se tornou uma grande interação com os Jogos, com milhões de fotos e selfies nas redes sociais e nas mídias mundiais. Só agora o COI conta com um canal de interação digital. Mas a interação cidadã começou com o Brasil, na Candelária, na Praça Mauá, no Boulevard Olímpico.

(Foto: Marcos Brindicci/ Reuters)
(Foto: Marcos Brindicci/ Reuters)