Respeito aos animais: amazona desiste da Olimpíada para preservar saúde de seu cavalo

(Foto: Reprodução/ Adelinde Cornelissen)

A amazona holandesa Adelinde Cornelissen é medalha de ouro em se tratando de respeito e amor pelos animais. Ela desistiu de participar da prova por equipes e representar seu país no hipismo, na Rio 2016, porque seu cavalo, Parzival, ficou doente um dia antes da prova.

A atleta de 37 anos, medalha de prata no adestramento individual e bronze por equipes em Londres 2012, e mais dois títulos da Copa do Mundo, sempre montando Jerich Parzival, entrou na pista do adestramento do Centro Olímpico de Hipismo e abandonou a competição logo depois de fazer uma breve saudação ao público.

Em sua página no Facebook, Adelinde relata o que aconteceu, o respeito com seu parceiro de quatro patas e termina com a expressão #TwoHearts (dois corações).

Adelinde estava pronta para se apresentar no adestramento quando notou que havia algo errado com Parzival, seu cavalo de 19 anos e companheiro de longa data. “Fui dizer bom dia ao Parzival e percebi que o lado direito da mandíbula dele estava muito inchado. Medi a temperatura: febre de 40°C. Mas ele ainda não parecia tão doente, comia e bebia normalmente”, contou.

O cavalo foi examinado e os veterinários concluíram que ele havia sido picado por algum inseto, aranha, ou um outro animal que produz toxinas. Após receber a medicação, Parzival melhorou gradativamente, mas continuou sendo monitorado. “No fim do dia, a febre baixou, o inchaço da mandíbula havia diminuído bastante”, relatou a holandesa.

A todo momento, Adelinde ia ao estábulo para ver se o companheiro estava bem. Ela não queria deixá-lo sozinho de jeito nenhum. E, como era de se esperar, mal conseguiu pregar os olhos naquela noite. “Àquela altura, eu nem queria competir mais. A saúde de Parzival é mais importante do que qualquer outra coisa”, afirmou.

Porém, na manhã seguinte, o cavalo tinha melhorado ainda mais: sem febre, o inchaço cada vez menor, comendo e bebendo normalmente. A atleta, então, deparou-se com uma difícil decisão. Ao mesmo tempo em que não queria deixar a equipe de adestramento da Holanda na mão, estava com medo de colocar o animal em risco.

(Foto: Reprodução/ Adelinde Cornelissen)
(Foto: Reprodução/ Adelinde Cornelissen)

Adelinde deu algumas voltas na pista com Parzival, que parecia feliz e disposto. “O que fazer? Ele estava disposto agora, mas eu sabia o que tinha acontecido no dia anterior. Por outro lado, ninguém poderia me substituir na equipe”, narrou a amazona, sem esconder seu drama.

Mesmo depois de conversar com diversos veterinários, com o treinador e o sinal verde da FEI (Federação Equestre Internacional) para o cavalo competir, ela ainda não estava convencida. A amazona dirigiu-se à área de aquecimento e ficou atenta às reações do animal. Embora disposto, ele não demonstrava todo o seu potencial.

“Quando entrei na pista, percebi que Parzival estava dando o melhor de si, ele nunca desiste. Mas, para protegê-lo, eu desisti. Meu parceiro, meu amigo, o cavalo que me deu tudo durante sua vida inteira não merecia isso. Então, eu saudei o público e me retirei da arena”, concluiu.

No fim das competições do adestramento do hipismo no Rio 2016, a Holanda ficou na quarta colocação.

Fontes: Awebic / IG