PL do Veneno: A opinião de 8 pré-candidatos à Presidência

(Foto: Pixabay)

O Projeto de Lei 6299/02, que se refere ao pacote de mudanças na fiscalização e controle de agrotóxicos no Brasil, ganhou a primeira batalha na Câmara dos Deputados na semana passada.

HuffPost Brasil revela a posição de alguns dos pré-candidatos à Presidência.

Álvaro Dias (Podemos)

Em nota enviada ao site Metrópoles em junho, o pré-candidato do Podemos disse que as mudanças do PL teriam como objetivo “regulamentar a pesquisa, o desenvolvimento, a produção, o comércio e o consumo dos agrotóxicos”, mas afirmou que é “prematuro” emitir opinião sobre a proposta, uma vez que a mesma não é definitiva.

“Uma mudança no sistema de registro de agrotóxico que elimine a burocracia e a morosidade, e que confira maior transparência possível ao processo, seguramente será melhor para todos”.

Guilherme Boulos (PSOL)

O pré-candidato do PSOL afirmou que o PL é um “retrocesso” e um “atentado contra o meio ambiente e contra a saúde humana.”

Nas redes sociais, Boulos lembrou que o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos do mundo e defendeu um modelo de desenvolvimento agrícola sustentável, agroecológico. “Isso é o que vai beneficiar a população brasileira que, se for consultada sobre o tema, com certeza diria não ao uso de agrotóxicos”, disse em nota.

“O modelo agrícola baseado no agronegócio é o causador do envenenamento da comida no Brasil. Qualquer projeto de lei que queira facilitar o uso de agrotóxico só interessa ao lucro das empresas produtoras e consumidoras de veneno”.

Flávio Rocha (PRB)

O empresário e político criticou a lei atual de agrotóxicos e disse que ela está “obviamente defasada”. “O setor do agronegócio e dos defensivos tem sofrido fortemente com o preconceito e com propagandas financiadas internacionalmente por ONGs sediadas em países que concorrem com o Brasil na exportação de alimentos”, criticou Rocha.

“É preciso deixar o preconceito e a gritaria de lado e apoiar de maneira cada vez mais forte nosso agronegócio”.

Marina Silva (Rede)

A pré-candidata se posicionou contra o PL 6299/02. Pelas redes, Marina lamentou a aprovação da comissão e criticou as principais mudanças, como a troca de nome e a autofiscalização concedida ao Ministério da Agricultura. “A sociedade precisa se mobilizar para não permitir que esse PL seja aprovado, quando for discutido no plenário da Câmara”, escreveu.

O PL do Veneno provoca mudanças com implicações muito sérias para o meio ambiente e a saúde dos brasileiros. Na prática, essa medida pode facilitar o registro e venda de produtos elaborados com substâncias danosas à saúde, conhecidas por apresentar características cancerígenas.

Manuela D’Avila (PCdoB)

Em suas redes, a candidata se mostra contra aprovação do projeto na Câmara.

Jair Bolsonaro (PSL)

O pré-candidato à presidência do PSL concordou que o Ministério da Agricultura deveria ser o único responsável pela liberação dos produtos agrícolas — uma das principais mudanças do PL. A declaração foi dada ao AgroLink durante visita à AgroBrasília.

Se depender de mim, apenas o Ministério da Agricultura decidiria a liberação do produto. Eu apoio que a Anvisa fique fora [do processo] de liberação.

Geraldo Alckmin (PSDB)

O ex-governador criticou a atual demora para a liberação de novos produtos, que “tem levado em média 8 anos, mesmo quando o uso já é feito em países da OCDE com sistemas avançados de análise”, informou em nota a assessoria do tucano ao HuffPost Brasil. E acrescentou:

“Somos favoráveis à criação de mecanismos que permitam reduzir significativamente esses prazos – facilitando o uso de substâncias mais modernas e que preservem melhor o meio ambiente e a saúde humana”.

Demais pré-candidatos

Procurados pelo HuffPost Brasil, os pré-candidatos João Amoêdo (Novo), Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT) não comentaram sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

Fonte: HuffPost Brasil