25 milhões de toneladas de resíduos são despejados nos oceanos por ano

Foto ilustrativa (Foto: Pixabay)

A falta de boas práticas na gestão de resíduos sólidos nas cidades é responsável pelo despejo de mais de 25 milhões de toneladas de resíduos nos oceanos anualmente, revela novo estudo da International Solid Waste Association (ISWA), em parceria com a Abrelpe, lançado no Fórum Mundial da Água.

A ISWA estima que não são coletados de 500 a 900 milhões de toneladas de resíduos no mundo. Cada tonelada de resíduo não coletada em áreas próximas aos recursos hídricos é equivalente ao despejo de mais de 1.500 garrafas plásticas no mar.

Cerca de 80% dos resíduos encontrados nos mares e oceanos são resultado da ineficiência dos serviços de gestão de resíduos nas cidades e do descarte incorreto de resíduos no meio ambiente pela população.

“O lixo existente no ambiente marinho já é um desafio global semelhante às mudanças climáticas. E o problema, que vai muito além daquilo que é visível, está presente em quase todas as áreas costeiras do mundo, trazendo desequilíbrio tanto para a fauna e flora marinhas e comprometendo esse recurso vital para a humanidade”, observa Antonis Mavropoulos, presidente da ISWA.

No Brasil, cerca de 2 milhões de toneladas de resíduos, que representa 7 mil campos de futebol ou 30 estádios do Maracanã da base até o topo cheios, vão parar nos oceanos todos os anos, segundo levantamento feito pela ABRELPE.

Entretanto, a quantidade despejada no oceano pode ser ainda maior, já que as 30 milhões de toneladas de lixo que seguem para unidades de destinação inadequada podem acarretar um aumento de 3 milhões de toneladas de lixo marinho a cada ano.

“A existência dos lixões viola princípios básicos de direitos humanos, contribui para a poluição dos recursos hídricos e desperdiça mais de R$ 5,5 bilhões por ano de recursos públicos destinados à recuperação do meio ambiente e ao tratamento de problemas de saúde. Com menos da metade desses recursos, o País poderia fechar todos os seus lixões e modernizar significativamente o sistema atual de gestão de resíduos”, analisa Carlos Silva Filho, diretor presidente da ABRELPE.

O relatório conclui que se os milhares de resíduos sólidos originados do plástico que chegam aos oceanos pela costa brasileira fossem encaminhados para processos de reciclagem, haveria uma economia de, no mínimo, 3,6 milhões de litros de gasolina, e os recursos naturais da Terra teriam tempo de vida útil maior.