40 empresas brasileiras pedem medidas de combate ao desmatamento

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(Foto: Pixabay)

Um grupo de 38 empresários enviou uma carta ao vice-presidente Hamilton Mourão, em que pedem medidas rigorosas para combater o desmatamento na Amazônia. O documento foi divulgado nesta terça-feira (07).

No documento, os empresários afirmam que estão preocupados com a imagem negativa do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais e ressaltaram o prejuízo que isso tem causado nos negócios

“A percepção negativa [sobre a política ambiental brasileira] tem um enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de vista reputacional, mas de forma efetiva para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país”, dizem.

O grupo defende a inclusão de medidas para conter o desmatamento e criar uma estratégia de desenvolvimento econômico sustentável, que incluem a fiscalização de irregularidades e crimes ambientais na Amazônia e nos outros biomas brasileiros.

“Temos a oportunidade única, os recursos e o conhecimento para dar escala às boas práticas e, mais do que isso, planejar estrategicamente o futuro sustentável do Brasil. Precisamos fazer as escolhas certas agora e começar a redirecionar os investimentos para enfrentamento e recuperação da economia brasileira em um modelo de economia circular, de baixo carbono, e inclusiva, em que não há controvérsias entre produzir e preservar. Em nosso entendimento, esse é o melhor caminho para fincarmos os alicerces do país para as próximas gerações. Caso contrário, corremos o risco de ficarmos à margem da nossa própria história”, afirmam.

Os empresários também se colocaram à disposição do Conselho da Amazônia para discutir soluções em sete campos:

  1. combate inflexível e abrangente ao desmatamento ilegal na Amazônia e demais biomas brasileiros;
  2. inclusão social e econômica de comunidades locais para garantir a preservação das florestas;
  3. minimização do impacto ambiental no uso dos recursos naturais, buscando eficiência e produtividade nas atividades econômicas daí derivadas;
  4. valorização e preservação da biodiversidade como parte integral das estratégias empresariais;
  5. adoção de mecanismos de negociação de créditos de carbono;
  6. direcionamento de financiamentos e investimentos para uma economia circular e de baixo carbono;
  7. pacotes de incentivos à recuperação econômica dos efeitos da pandemia da Covid-19 condicionada a uma economia circular e de baixo carbono.

As empresas signatárias são:

  • Ambev
  • Agropalma
  • Alcoa
  • Amaggi
  • Bayer
  • Bradesco
  • BrasilAgro
  • Cargill
  • Cosan
  • DSM
  • Ecolab
  • Eletrobras
  • ERM
  • Grupo Vamos
  • Iguá
  • Itaú
  • Jacto
  • JSL
  • Klabin
  • LVMH
  • Marfrig
  • Mauá Capital
  • Michelin
  • Microsoft
  • Movida
  • Natura
  • Rabobank
  • Santander
  • Schneider Eletric
  • Shell
  • Siemens
  • Sitawi
  • Stefanini
  • Sunew
  • Suzano
  • Ticket Log
  • TozziniFreire
  • Vale
  • Vedacit
  • WeWork

Leia abaixo a carta na íntegra:

Neste momento, em que enfrentamos uma situação extrema, extraordinária e excepcional, é muito importante manter a serenidade e o equilíbrio para que possamos superar e sair fortalecidos dos desafios que se apresentam. Em nenhum momento da história o futuro da humanidade e do planeta dependeu tanto da nossa capacidade de entendimento de que vivemos em um único planeta e de que a nossa sobrevivência está diretamente ligada à preservação e valorização dos seus recursos naturais.

Os impactos sociais e econômicos causados em escala global e de forma inédita pela pandemia da COVID-19 nos advertem que a consumação de riscos associados à quebra do equilíbrio ecossistêmico traz consequências devastadoras quando negligenciados, tal como vem ocorrendo com o risco climático apontado pelo Fórum Econômico Mundial ano após ano, desde 2012.

Cientes disso, o setor empresarial brasileiro, por meio de instituições e empresas dos setores industrial, agrícola e de serviços, vêm hoje reafirmar seu compromisso público com a agenda do desenvolvimento sustentável.

Particularmente, esse grupo acompanha com maior atenção e preocupação o impacto nos negócios da atual percepção negativa da imagem do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais na Amazônia. Essa percepção negativa tem um enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de vista reputacional, mas de forma efetiva para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país.

Nesse contexto, esse grupo coloca-se à disposição do Conselho da Amazônia para contribuir com soluções que tenham foco nos seguintes eixos:

  • Combate inflexível e abrangente ao desmatamento ilegal na Amazônia e demais biomas brasileiros;
  • Inclusão social e econômica de comunidades locais para garantir a preservação das florestas;
  • Minimização do impacto ambiental no uso dos recursos naturais, buscando eficiência e produtividade nas atividades econômicas daí derivadas;
  • Valorização e preservação da biodiversidade como parte integral das estratégias empresariais;
  • Adoção de mecanismos de negociação de créditos de carbono;
  • Direcionamento de financiamentos e investimentos para uma economia circular e de baixo carbono; e
  • Pacotes de incentivos para a recuperação econômica dos efeitos da pandemia da COVID-19 condicionada a uma economia circular e de baixo carbono.

Algumas das empresas signatárias já desenvolvem soluções de negócios que partem da bioeconomia, com valor agregado e rastreabilidade dos produtos, inclusive, na Amazônia. De um lado, entendemos que é possível dar escala às boas práticas a partir de políticas consistentes de fomento à agenda ambiental, social e de governança. De outro, é necessário adotar rigorosa fiscalização de irregularidades e crimes ambientais na Amazônia e demais biomas brasileiros.

Temos a oportunidade única, os recursos e o conhecimento para dar escala às boas práticas e, mais do que isso, planejar estrategicamente o futuro sustentável do Brasil. Precisamos fazer as

escolhas certas agora e começar a redirecionar os investimentos para enfrentamento e recuperação da economia brasileira em um modelo de economia circular, de baixo carbono, e inclusiva, em que não há controvérsias entre produzir e preservar. Em nosso entendimento, esse é o melhor caminho para fincarmos os alicerces do país para as próximas gerações. Caso contrário, corremos o risco de ficarmos à margem da nossa própria história