Brasil assina apoio ao Acordo de Paris em reunião dos Brics

(Foto: Clauber Cleber Caetano/ PR/ Flickr Palácio do Planalto)

Em reunião paralela à cúpula do G20, que acontece em Buenos Aires, os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul assinaram, nesta sexta-feira (30), uma declaração conjunta que se comprometem com a “plena implementação do Acordo de Paris”.

“Com respeito à mudança do clima, comprometemo-nos à plena implementação do Acordo de Paris, incluindo os princípios das responsabilidades comuns porém diferenciadas e das respectivas capacidades”, diz o documento.

O gesto do presidente Michel Temer vai contra o posicionamento do próximo governo. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, ameaçou retirar o país do tratado internacional, pois acredita que o acordo ameaça a soberania nacional.

Na terça-feira (27), o Itamaraty anunciou que desistiu de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 25), em 2019, por restrições orçamentárias e o processo de transição presidencial.

O pedido para retirar a candidatura foi feito por Bolsonaro. “Uma política ambiental [não pode] atrapalhar o desenvolvimento do Brasil. Hoje, a economia está quase dando certo por causa do agronegócio, e eles estão sufocados por questões ambientais”, declarou.

A notícia não foi bem recebida no Brasil e por outros países. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que é contra assinar amplos acordos comerciais com países que não respeitem o Acordo de Paris e se comprometem a agir contra as mudanças climáticas.

“Assumimos compromissos claros em Paris e estes desafios devem responder também a desafios mais globais. Mas no Mercosul houve uma mudança política importante, no Brasil, recentemente, então o Mercosul precisa refletir a natureza do impacto desta mudança “, disse Macron ao comentar o avanço de acordos comerciais com a Argentina.

Em nota, o Observatório do Clima lamentou o recuo do governo. “O Brasil vai, assim, abdicando seu papel no mundo numa das poucas áreas onde, mais do que relevante, o país é necessário: o combate às mudanças do clima. Ao ignorar a agenda climática, o governo federal também deixa de proteger a população, atingida por um número crescente de eventos climáticos extremos. Estes, infelizmente, não deixam de ocorrer só porque alguns duvidam de suas causas”, disse.

** Com informações do G1, da Época