Estados Unidos saem do Acordo de Paris

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Como já era esperado, o presidente americano Donald Trump anunciou nesta quinta-feira, 1º de junho, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris.

“Eu não quero que nada fique no nosso caminho. Então para proteger os cidadãos americanos, os Estados Unidos irão se retirar do Acordo de Paris”, anunciou Trump.

O presidente americano afirmou que o Acordo Climático é injusto e prejudica a economia e a geração de emprego no país, além de torná-lo vulnerável. No entanto, Trump afirmou que os Estados Unidos estão abertos a negociar acordos com os países em relação ao clima, de forma que seja justo e não beneficie mais outras nações.

“Nós vamos começar a negociar e vamos ver se podemos criar um acordo justo. E, se pudermos, isso será ótimo. E se não pudermos, está tudo bem. Como presidente, eu devo colocar o bem estar dos cidadãos americanos em primeiro lugar”, disse.

O presidente também prometeu que os EUA continuarão trabalhando para ser o país mais limpo e ecofriendly, mas sem mudar os seus negócios

A decisão americana não foi recebida com surpresa. Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, este é o pior revés para a ação climática global, desde que os Estados Unidos abandonaram o Protocolo de Kyoto há 16 anos.

“Por um lado, a saída americana pode não parecer tão ruim para as negociações sobre implementação do Acordo de Paris; afinal, pode ser melhor não ter os americanos travando o progresso do resto do mundo. Por outro lado, ela cria um precedente perigoso para outras nações seguirem o mesmo caminho, o que poderia pôr a meta de 2ºC fora de alcance”, analisa Rittl.

A ex-Secretária Geral da UNFCCC, Christiana Figueres, também mostrou preocupação sobre as consequências da saída americana. “A decisão dos EUA de sair do Acordo de Paris acaba com todas as especulações sobre este tema desde novembro e agora permite que todas as outras Partes continuem seu trabalho sobre pontos que precisam ser negociados entre agora e 2020. A economia real, tanto nos Estados Unidos como no exterior, deve e continuará a sua tendência de descarbonização, puxada muito mais fortemente pelas forças de mercado do que retida pela política”, afirmou.

“Estados, cidades, corporações, investidores estão se movendo nessa direção por vários anos e os preços baixos das energias renováveis ​​versus o alto custo dos impactos na saúde dos fósseis, garante a continuação dessa transição. Na verdade, é precisamente durante os quatro anos deste governo dos EUA que precisamos dobrar nossos esforços para garantir que dobraremos a curva de emissões até 2020”, complementa Figueres.

Em resposta a decisão do presidente americano, a União Europeia e a China devem assinar amanhã um pacto climático que reforça o comprometimento dos países com o tratado climático.

“Caberá às grandes nações responder à altura: seja aumentando sua ambição e dobrando a aposta nas energias renováveis, como China e União Europeia vêm fazendo, seja em fóruns como a Organização Mundial do Comércio, para corrigir distorções comerciais inevitáveis geradas pela inação climática dos EUA”, explica Rittl.

O Acordo de Paris é um pacto internacional criado em 2015 durante a 21ª Conferência das Partes (COP-21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O tratado foi ratificado por 195 países, incluindo o Brasil, para combater o aquecimento global e o avanço das mudanças climáticas.

Os Estados Unidos – então comandado pelo ex-presidente Barack Obama – e a China foram os dois primeiros países a assinarem o Acordo de Paris. Juntos os dois países são responsáveis pela emissão de 40% dos gases poluentes em todo o mundo.

Durante a sua campanha eleitoral, Trump afirmava que o aquecimento global e a mudança climática são invenções dos chineses para prejudicar a economia americana e que se eleito, retiraria o país do Acordo de Paris e desmantelaria a Agência de Proteção Ambiental (EPA, sigla em inglês).

No último dia 26, representantes das sete maiores economias do mundo, o G7, entre eles o presidente francês Emmanuel Macron e a chanceler alemã Angela Merkel, questionaram o posicionamento de Trump e pediram que os Estados Unidos permanecesse no Acordo.

“Os países precisam se unir para combater o aquecimento global, um [país] não pode fazer isso sozinho. É essencial que o mundo implemente o Acordo de Paris e que cumpramos este dever com grande ambição. Se algum governo duvida da necessidade desse acordo, isso é motivo para todos os outros se unirem com mais força”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na terça-feira (30), durante um evento em Nova Iorque.