Países terão prejuízo de quase US$800 trilhões se Acordo de Paris não for cumprido

(Foto: Reprodução/ Pnuma)

Se os países falharem em cumprir as metas previstas no Acordo de Paris, a economia global terá um prejuízo de até US$ 800 trilhões, revela estudo divulgado na revista Nature nesta terça-feira (14).

Em 2015, quase 200 países se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e limitar o aumento da temperatura global para abaixo de 2ºC para combater às mudanças climáticas. Os planos individuais de redução de emissões dos países são conhecidos como Contribuições Determinadas Nacionalmente (NDCs).

O estudo, conduzido por uma equipe internacional de especialistas, simulou os custos da ação cooperativa global em quatro aspectos: limites de aquecimento, custos de tecnologia de baixo carbono, danos climáticos e princípios de equidade.

Se todas as metas forem alcançadas e o aquecimento do planeta for limitado em 1,5ºC, a economia global teria um lucro líquido acumulado entre US$336 e US$422,1 trilhões até o final do século. Este lucro líquido seria obtido após 2065.

Se as metas do limite de aquecimento de 2ºC forem atingidas, Indonésia, China, União Europeia, Índia e Nigéria terão um lucro líquido acumulado maior (em média, 37,2 trilhões de dólares até 2100) do que a média global (2,5 trilhões de dólares).

Em contrapartida, se os países não conseguirem implementar seus NDCs atuais, o mundo inteiro teria um prejuízo entre US$ 149,78 trilhões e US$ 791,98 trilhões.

“Descobrimos que todos os países ganhariam aumentando sua meta e alinhando-se ao objetivo de 1,5 ° C ou bem abaixo de 2 ° C. Mesmo quando a sociedade experimenta um desenvolvimento relativamente lento de tecnologias de baixo carbono, uma estratégia de autopreservação ainda pode ser encontrada”, dizem os pesquisadores.

Investimento

Os pesquisadores alertam que para atingir as metas globais, os investimentos cumulativos de mitigação podem chegar a US$113,70 trilhões. Do total, 91% seriam gastos pelos países que compõem o G20. Apenas os EUA precisariam investir de US$5,41 a US$ 33,27 trilhões.

Os pontos de equilíbrio dos Estados Unidos, Russia, Canadá e Austrália ocorrerão no final deste século e antes de 2035 para a África do Sul e Arábia Saudita. 

As economias em desenvolvimento no G20 (China, Brasil, México, Indonésia, Turquia, Argentina, Índia e Arábia Saudita) precisam de, pelo menos, US$30,66 trilhões em investimentos financeiros antes de se tornarem lucros.