Acordo vai liberar crédito de R$350 milhões do Fundo Clima

(Foto: Pablo Le Roy/ Ministério do Meio Ambiente)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, assinaram um acordo para disponibilizar R$350 milhões, por meio do Fundo Clima, para financiar empresas.

O valor será usado para apoiar e estruturar projetos de combate, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, e com correlação com saneamento e gestão de resíduos sólidos.

O BNDES vai ser o responsável por repassar os recursos. “São recursos reembolsáveis, a taxas muito atraentes, para quem quer fazer investimento em saneamento e resíduos sólidos”, explica Montezano.

O Fundo Clima disponibiliza recursos em duas modalidades: reembolsável e não-reembolsável. Os recursos reembolsáveis são administrados pelo BNDES. Os recursos não-reembolsáveis são operados pelo próprio Ministério do Meio Ambiente.

O banco também participará da gestão do programa Adote um Parque, que prevê a atração de capital para proteger 132 unidades de conservação ambiental na Amazônia, além de estruturar a modelagem das concessões de parques nacionais, como os de Lençóis Maranhenses, Jericoacoara e o Parque Nacional de Brasília.

Sobre a retomada do Fundo Amazônia, Salles disse que o vice-presidente Hamilton Mourão está à frente dessas negociações e que “cada um tem dado as suas contribuições”.

Carta

Um grupo de 50 organizações socioambientais enviaram uma carta aberta ao BNDES em que pedem a liberação de mais de R$2 bilhões, bloquear o financiamento a áreas com desmatamento ilegal e maior rigor no empréstimo a projetos que causam impacto social e ambiental. Os recursos estão parados pelos Fundo Amazônia, o Fundo Clima e Fundo Social.

Para as organizações, o BNDES adotou um padrão de investimento, nas últimas décadas, que reforçava as desigualdades sociais, violava direitos de comunidades e explorava ecossistemas de forma insustentável.

Segundo as organizações, a pandemia é uma grande oportunidade de fazer diferente. “Milhões de pessoas estão sendo jogadas na pobreza e extrema pobreza; com a população negra sendo proporcionalmente ainda mais afetada; centenas de negócios cuja base é a única fonte de rendadas famílias estão deixando de existir e junto deles milhares de ocupações e empregos”.

A carta é assinada por mais de cinquenta organizações, entre elas o Instituto de Estudos Socioeconômicos, Conectas Direitos Humanos, International Rivers, Instituto Sociedade, População e Natureza, Instituto de Defesa do Consumidor, Observatório do Clima, Instituto Socioambiental.