Agropecuária é responsável por 72% das emissões em 2019

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(Foto: Jan Kopriva/ Unsplash)

Três quartos da emissões brasileiras de gases de efeito estufa (GEE) em 2019 foram causadas pela agropecuária, constatou o novo levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima.

A agropecuária emitiu 598,7 milhões de toneladas de CO2 e em 2019, um aumento de 1,1% em relação às 592,3 milhões de toneladas emitidas em 2018. As emissões diretas do setor representaram 28% do total de GEE do Brasil. As emissões de uso da terra representaram 44% do total nacional. Somados, os dois setores concentram 72% das emissões brasileiras.

Ainda que a eficiência da produção de carne tenha crescido 18% entre 2010 e 2019, a pecuária de corte responde por 62% das emissões de GEE da agropecuária. Desde a regulamentação Política Nacional sobre Mudança do Clima, houve um aumento de 7% nas emissões da agropecuária.

De acordo com a organização, o setor pode reduzir suas emissões significativamente com a implementação de tecnologias de manejo correto de solos. A principal delas é a recuperação de pastagens degradadas, financiada há uma década por meio do Programa ABC.

“Os resultados do SEEG agro mostram a crescente contribuição da agropecuária para as emissões nacionais, porém este cenário deve ser revertido, os sistemas de produção precisam adotar as boas práticas de manejo e cuidado do solo — onde está concentrada a maior parte dos estoques de carbono. Um solo conservado produz mais e ainda estoca carbono, e é portando um dos recursos naturais mais importantes do Brasil”, afirma Renata Potenza, Coordenadora de Clima e Cadeias Agropecuárias do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

O SEEG calcula desde 2015 o balanço de carbono dos solos agrícolas. As análises mostram que já existe sequestro líquido de carbono — de 39,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2019.