Aquecimento global ameaça a produção de alimentos, alerta ONU

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(Foto: Pixabay)

Se o aquecimento do planeta aumentar em 2 graus Celsius, o degelo do permafrost, a seca intensa e fenômenos meteorológicos extremos transformarão as terras férteis em desertos, alerta novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O estudo compila as descobertas científicas mais recentes sobre o aquecimento global. Com a coordenação de mais de 100 especialistas de 52 países, o documento apresenta cenários sobre como o uso da terra contribui para o fenômeno e como o aquecimento afeta o planeta.

Os cientistas projetam que, no Brasil, o aquecimento pode reduzir, por exemplo, as safras de milho em 5,5% a cada grau Celsius acrescentado na temperatura do planeta.

Atualmente, 70% da área terrestre estão sendo usadas para a produção de alimentos, têxteis e combustíveis. As emissões dos gases do efeito estufa relacionadas à agricultura, florestas e outros usos do solo representam 22% do que é liberado no mundo.

O documento mostra que é preciso diversificar a dieta alimentar e  rever o que comemos, já que os alimentos produzidos afetam a nossa saúde e a do planeta. Sem uma mudança, não será possível conciliar a produção de alimentos e de energia com a redução das emissões. 

Os especialistas recomendam comer menos carne e mais laticínios, e comer mais leguminosas, grãos (menos trigo e arroz), legumes e verduras.

Segundo o cientista chefe da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, Barron Joseph Orr, as florestas e o solo devem ser aliados contra as mudanças climáticas. Mas a sua gestão insustentável os transformam no oposto, como um ciclo vicioso. Quando os solos e as florestas estão doentes, elas agravam as mudanças climáticas, que por sua vez, impacta negativamente a saúde dos outros dois.

Outros resultados

O relatório também deixa claro que a meta do Acordo de Paris de conter o aquecimento global em 1,5ºC é inviável, sem um forte sequestro de carbono.

Se o desmatamento na Amazônia atingir 40% da floresta, o ecossistema chegará a um ponto irreversível para barrar o aquecimento global e para a sobrevivência do ciclo da floresta. Se o desmatamento for zerado, mas o clima continuar a esquentar em mais 4ºC, também não seria possível reverter os efeitos da degradação no bioma.

Para o Observatório do Clima, o sumário executivo do relatório “deixa clara a importância de combater o desmatamento, promover recuperação florestal, mudar práticas agrícolas e frear a degradação das terras no mundo inteiro como medidas capazes tanto de combater a mudança do clima quanto de promover a adaptação da sociedade a elas.”

** Com informações da Agência Brasil e do G1