Área desmatada no Brasil em 2019 equivale a oito cidades de São Paulo

(Foto: Pixabay)

O Brasil perdeu 1.218.708 quilômetros quadrados (km²) de vegetação nativa em todos os biomas do 2019, área equivalente a oito vezes a cidade de São Paulo, revelou o Relatório Anual de Desmatamento, divulgado nesta terça-feira (26).

O levantamento inédito do MapBiomas, iniciativa de entidades, universidades e empresas de tecnologia, analisou todos os alertas de desmatamento no país.

Ao todo, foram 12 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa destruídos e 56 mil pontos de desmatamento, sendo que 11% foram registrados em unidades de conservação e quase 6% em terras indígenas.

Na média, houve 156 novos casos de desmatamento por dia em 2019 e 3.339 hectares por dia, o que dá 139 hectares por hora e 2 hectares por minuto.

O desmatamento atingiu, principalmente, o Cerrado e a Amazônia. Cerca 63% dos hectares desmatados foram na Amazônia, com 770 mil hectares, em média, 2.110 hectares de floresta por dia.

“A maior parte dos alertas, cerca de 83%, ocorreram na Amazônia, mas isso representa pouco menos de dois terços do total de desmatamento”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas

No Cerrado, foram derrubados 408,6 mil hectares, cerca de 33% da área desmatada. Na média, as áreas desmatadas do bioma são maiores do que as da Amazônia. O Pantanal é terceiro bioma em que mais houve perda, com 16,5 mil ha. A Caatinga (12,1 mil ha) e a Mata Atlântica (10,6 ha) são os biomas que foram menos derrubados.

Em todos os estados houve desmatamento. O Pará é responsável por um terço do desmatamento, sendo o estado com maior índice, seguido pelo Acre (16%). Já o Mato Grosso é o estado com menor ocorrência, com 8%.

O município de Altamira, no Pará, possui o maior índice de desmatamento com 4.451 hectares derrubados, cerca de 4 milhões de árvores. Foram mais de 30 alertas de desmatamento em três meses. Na cidade, estão as áreas mais invadidas por madeireiros, muitas delas habitadas por índios isolados.

O maior número de alertas ocorreu em São Félix do Xingu, seguido por Feijó no Acre. “Quando os alertas são por tamanho, a maior parte dos alertas são de 1 a 5 hectares, mas os alertas de 100 hectares são a maior parte da área desmatada, que se dá por desmatamento com maquinário”, disse Azevedo.

A análise também constatou que dois terços das áreas de desmatamento têm dono declarado no Cadastro Ambiental Rural (CAR), no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC).

O levantamento é divulgado quatro dias após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, autorizar a divulgação da reunião ministerial do dia 22 de abril.
Durante a reunião, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que o governo deveria aproveitar o momento em que o foco da imprensa estava na pandemia de Covid-19.

“Nós temos a possibilidade nesse momento que a atenção da imprensa está voltada exclusiva quase que exclusivamente pro COVID, e daqui a pouco para a Amazônia (…) A oportunidade que nós temos (…) é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação, todas as reformas que o mundo inteiro certamente cobrou”, disse.

“A segurança jurídica, da previsibilidade, da simplificação, essa grande parte dessa matéria ela se dá em portarias e norma dos ministérios que aqui estão, inclusive o de Meio Ambiente. E que são muito difíceis, e nesse aspecto eu acho que o Meio Ambiente é o mais difícil de passar qualquer mudança infralegal em termos de infraestrutura, é instrução normativa e portaria, porque tudo que a gente faz é pau no judiciário, no dia seguinte”, continuou.

“Então pra isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de COVID e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De IPHAN, de ministério da Agricultura, de ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação, é de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos”, concluiu Salles.