Audiência pública no Senado para discutir Projeto de Lei do Desmatamento Zero

(Foto: Greenpeace)

Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado realizou a audiência, em parceria com outras organizações.

Segundo Tasso Azevedo, do Observatório do Clima, 60% do Brasil é coberto por vegetação nativa e 32% pela agropecuária. “Esses 32% correspondem a mais de 269 milhões de hectares – a terceira maior agrícola do mundo, atrás de China e EUA”. Desse total, 24 milhões de hectares são de áreas improdutivas.

“O Brasil tem áreas improdutivas que podem ser recuperadas. Temos um estoque de 250 milhões de hectares já desflorestados para atender as demandas de mercado até 2050. Não faz sentido gastar mais dinheiro e derrubar mais áreas se você tem tantos ativos para serem recuperados”, explica Azevedo.

No entanto, não é o que acontece. “Embora tenha havido um pico de baixa do desmatamento em 2012, hoje essa taxa volta a se elevar. Para se ter uma ideia, a taxa média de desmatamento entre 2013 e 2017 foi 38% maior do que em 2012”, destacou Mazzetti.

Desmatamento Zero também é pelo clima e pela economia

“Uma única árvore recicla 500 litros de água por dia – são 7 trilhões de litros reciclados por dia. Temos que ver esse patrimônio florestal em relação ao patrimônio do agronegócio”, aponta o pesquisador sênior do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Paulo Moutinho.

“Na última década da Amazônia nós vimos os maiores eventos de seca e cheia”, conta Rita Mesquita, coordenadora de extensão do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). “Um mês a mais de seca nessa região é um impacto enorme. E não estamos fazendo projeção, estamos documentando isso acontecendo”.

Manter a floresta de pé é preservar os recursos naturais, ou seja, o clima também. O desmatamento limita a capacidade das florestas de filtrar o ar e água, e sem isso, nada se produz. Zerar o desmatamento é pensar também no futuro econômico do país. Por exemplo, o mercado que compra commodities do Brasil não quer mais vender aos seus consumidores produtos contaminados com desmatamento, seja na Amazônia, seja no cerrado.