Aumento da contaminação do solo ameaça segurança alimentar

solo, planta
(Foto: Freepik)

É necessário adotar medidas urgentes para abordar a contaminação do solo e conter as múltiplas ameaças que isto representa para a inocuidade e para a segurança alimentar global, alerta a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Atualmente, em torno de 33% de todos os solos estão degradados. Milhares de produtos químicos, resíduos plásticos e eletrônicos ou águas residuais não tratadas podem se converter em fontes de contaminação do solo, abrindo espaço para a contaminação da cadeia alimentar, com graves consequências à saúde e ao bem-estar da população.

“O solo atua como um filtro para os contaminantes. Mas quando sua capacidade amortecedora é superada, os contaminantes podem chegar ao meio ambiente e à cadeia alimentar. Isto prejudica a segurança alimentar ao fazer com que o consumo destes cultivos represente um risco”, afirma Maria Helena Semedo, diretora-geral adjunta da FAO.

“As atividades humanas são a principal fonte de contaminação do solo. Está em nossas mãos adaptar práticas para uma gestão sustentável do solo”, acrescentou.

Para evitar a contaminação e degradação dos solos, Semedo ressalta que os países precisam aumentar “de forma significativa o investimento em solos saudáveis”, já que “manter solos saudáveis ajuda a garantir alimentos inócuos e nutritivos”.

Entre as práticas recomendadas pela FAO para reduzir a contaminação do solo em nível estadual, industrial e particular, estão: reciclar o lixo; a doação ou reciclagem dos aparelhos velhos e a gestão responsável e sustentável dos produtos químicos usados na agricultura.

Atualmente, quase 60% dos melhores solos agrícolas em 11 países europeus contêm resíduos de diversos pesticidas persistentes.

Para se ter uma ideia do impacto da degradação do solo na economia, um estudo feito pela FAO no Malauí constatou que um aumento de 25% na perda do solo no país resultaria na redução do PIB em 0,64%, o que equivale a cerca de 40 milhões de dólares ao ano.

“A degradação do solo tem altos custos econômicos devido à perda da saúde do solo e à redução dos rendimentos agrícolas”, afirmou Semedo. “Os contaminantes podem permanecer no solo durante décadas, o que faz com que a remoção seja extremamente custosa. A prevenção da contaminação do solo deve ser uma prioridade em todo o mundo”.

** Com informações da ONU