Barack Obama alerta sobre os efeitos do aquecimento global e da desigualdade no planeta

(Foto: Ricardo Cardoso/ Divulgação)

“Progresso econômico e sustentabilidade não são incompatíveis”, afirmou o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a sua palestra no Fórum Cidadão Global, que aconteceu nesta quinta-feira (05) em São Paulo.

O americano alertou sobre os efeitos do aquecimento global, destacando o impacto dos furacões que atingiram o Caribe e uma parte dos Estados Unidos, no mês passado.

“Vimos uma temporada arrasadora de furacões. E a tendência é de furacões mais fortes, de mais secas, de mais inundações. Isso é ciência. Há indicações de que secas e alagamentos não são coincidência. São sinais de aquecimento global”, disse.

Sobre as pessoas que acreditam que não há nada a ser feito para combater o aquecimento global, Obama disse não ter problema e que pode debater com quem acredita que as regras de mercado podem ser a melhor solução para lidar com a questão.

“Mas ligo, sim, se você me disser que a temperatura do planeta não está aumentando. Porque 98% dos cientistas dizem que está aumentando”, ressaltou.

O ex-presidente também defendeu uma nova economia que inclua todas as pessoas. Para Obama, só haverá estabilidade política quando a riqueza não estiver concentrada com 1% da população mundial, já que a sociedade não funciona bem quando as pessoas sentem que não são beneficiadas. “Concentração de riqueza é a receita para polarização [política]”.

Neste sentindo, é necessário que o governo empodere e estimule o engajamento dos jovens, oferecendo a educação de que eles precisam, assim como a criação de um sistema tributário justo, defendeu o presidente.

“Eles [os governantes] têm de reinvestir e dar a outras pessoas as oportunidades de que elas merecem. É preciso empoderar as pessoas para que elas possam tomar riscos. Conforme trabalhamos para reduzir a desigualdade, precisamos trabalhar para fechar a distância entre ricos e pobres”, destacou.

Durante o seu discurso, Obama ressaltou que é necessário criar políticas públicas que mostrem a importância da diversidade e que combatam movimentos nacionalistas e xenofóbicos, como os que surgiram contra os refugiados.

“Hoje, o mundo vê a volta do nacionalismo e a xenofobia. Será que nós podemos convencer pessoas de que não vale a pena voltar a esses movimentos? Será que podemos fazer políticas que inspirem pessoas a substituir o medo pela esperança? Devemos mostrar a todos a importância do pluralismo, da diversidade e do império da lei”.

Para Obama, é imprescindível reconhecer as inovações e o dinamismo econômico trazido pelos refugiados para cada país. “Nós devemos ter um senso renovado de abertura para as pessoas de diferentes culturas que não se parecem conosco. Sociedade e história multirracial são fatores em comum entre EUA e Brasil. A minha esperança é de as pessoas vejam isso como fonte de força e não de separação”, disse.

Esta é a primeira vez que o ex-presidente Barack Obama visita o Brasil desde que deixou a Casa Branca. Como presidente, ele veio ao país uma vez, em março de 2011 para se reunir com a ex-presidente Dilma Rousseff.

** Com informações do jornal Valor Econômico e do Jornal do Brasil