Afetados pelo desastre da Samarco protestam contra suspensão do processo criminal

(Foto: Reprodução/ TV Globo)

Nesta segunda-feira (14), moradores de Minas Gerais e do Espírito Santo atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, na região de Mariana (MG), protestaram contra a decisão judicial que suspendeu o processo criminal contra 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR, envolvidas na tragédia.

Os manifestantes jogaram terra na porta da Justiça Federal, em Belo Horizonte, escreveram o nome comunidades atingidas pelo desastre e do juiz Jacques Queiroz Ferreira, que suspendeu o processo. O ato contou com a participação de 500 pessoas.

Em nota, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) explicou que a justiça está agindo para beneficiar as empresas, enquanto moradores passam por dificuldades.

“A avalanche de rejeitos de minério que desceu para a Bacia do Rio Doce deixou cidades com abastecimento interrompido, centenas de trabalhadores sem emprego, provocou o surgimento de doenças provindas do consumo da água contaminada e matou diversas espécies de peixes”, afirma a MAB.

Em novembro de 2015, 19 pessoas morreram com o rompimento da barragem de Fundão da Samarco, que atingiu 40 municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo. Os rejeitos também causaram danos ambientais incalculáveis a Bacia do Rio Doce e ao litoral capixaba.

Um ano após a tragédia, a Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que acusou 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR de crimes ambientais e homicídios.

As defesas do diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, e o diretor de operação, Kleber Guerra, pediram a anulação do processo com a alegação de que foram utilizadas provas ilícitas. O juiz aceitou o pedido e suspendeu o processo em consideração ao pedido do MPF para esclarecer a informação com as companhias telefônicas.

Diante do questionamento, a Polícia Federal protocolou um ofício em que nega as irregularidades nas escutas telefônicas. Segundo o delegado Roger Lima de Moura, “não houve qualquer interceptação telefônica da Polícia Federal feita fora do prazo autorizado pela Justiça”

Procuradas pela imprensa, a Samarco e a Justiça Federal não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

** Com informações do G1 e do Estado de Minas