Depressão atinge quase 30% das vítimas da barragem rompida em Mariana

Carros e destroços de casas são vistos em meio a lama após o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco no Distrito de Bento Rodrigues, no interior de Minas Gerais (Foto: Felipe Dana/AP)

Estudo feito pelo departamento de saúde mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que cerca de 30% dos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão da mineradora Samarco, em Mariana (MG), estão com depressão.

O índice de pessoas depressivas em Mariana supera em cinco vezes o registrado em todo o Brasil. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 5,8% dos brasileiros, o equivalente a 11,5 milhões de pessoas, tinham depressão em 2015.

Cerca de 32% das vítimas ainda mostram transtorno de ansiedade generalizada, percentual três vezes maior da média nacional. Entre as crianças, mais de 82% apresentaram critérios para transtorno de estresse pós-traumático, enquanto nos adultos, este diagnóstico envolveu 12% dos atingidos.

Os pesquisadores consideraram os números altos devido o tempo decorrido desde o desastre, em 2015, e descreveram a saúde mental dos atingidos pela tragédia tão vulnerável quanto à das vítimas de grandes desastres, como o do atentado ao World Trade Center, nos Estados Unidos, em 2001, e o da usina nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011.

De acordo com o estudo, o estresse contínua presente no cotidiano das pessoas e a abordagem oferecida não é suficiente para as pessoas diminuí-lo.

“As pessoas deixaram um ambiente em que as famílias conviviam há duzentos anos. Ali se protegiam, se cuidavam e mantinham relações. Desalojados em instalados em hotéis e casas alugadas há mais de dois anos, na área urbana de Mariana, eles perderam essas relações”, explica Frederico Garcia, um dos responsáveis pelo estudo.

A barragem de Fundão se rompeu em 05 de novembro de 2015 e deixou 19 pessoas mortas, dezenas de municípios destruídos de Minas Gerais ao Espírito Santo, cerca de 3 mil pessoas ficaram desalojadas e a bacia do Rio Doce foi arrasada pela lama de rejeitos.

** Com informações do UOL