Pesquisa revela os impactos da tragédia do Rio Doce para a saúde

(Foto: Reuters)

Depressão, dengue, problemas respiratórios, falta de ar e manchas na pele são alguns dos sintomas apresentados pela população atingida pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015. É o que constatou um novo estudo divulgado nesta quarta-feira.

Realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS), o estudo “Avaliação dos Riscos em Saúde da População afetada pelo Desastre de Mariana” ouviu 576 pessoas de 289 famílias sorteados a partir da lista das famílias do Programa Social de Família da Secretaria Municipal de Saúde de Barra Longa.

Dos entrevistados, 35% afirmaram que a saúde piorou após o desastre. Entre os problemas relatados, 40% são respiratórios; 15,8% afecções de pele; 11% transtornos mentais e comportamentais; 6,8% doenças infecciosas; 6,3% de doenças do olho; e 3,1% problemas gástricos e intestinais. Para crianças de até 13 anos completos, as doenças respiratórias correspondem a 60% das queixas.

“A saúde da população está comprometida e de diversas formas. Os dados levantados espelham o sofrimento da população a multivariadas queixas e doenças, e ao prejuízo da sua qualidade de vida”, afirma o estudo.

A médica e diretora do ISS, Evangelina Vormmitag, que coordenou o estudo, explicou que os efeitos para a saúde são tão abrangentes porque não existe nenhum outro desastre na literatura científica com essa magnitude e essas características, envolvendo tantos fatores – água, ar, solo e animais contaminados, danos emocionais e mentais –, na proporção que foi o Rio Doce.

Para realizar o estudo, os pesquisadores consideraram três efeitos na saúde: Resgate – com os efeitos mais agudos e momentâneos –; Recuperação, que acontecem entre semanas e meses como doenças infecciosas; e Reconstrução, sintomas que surgem entre meses e anos, como doenças comportamentais.

Esse estudo é o início de uma verificação mais profunda sobre as responsabilidades que a Samarco – empresa responsável pela barragem – deverá arcar quanto ao adoecimento da população de Barra Longa.

O relatório está disponível na íntegra em http://www.greenpeace.org.br/hubfs/Campanhas/Agua_Para_Quem/documentos/RelatorioGreenpeace_saude_RioDoce.pdf

** Com informações do Greenpeace