Rio Doce – expectativa de vida

(Foto: Reprodução)

O sábado (28) foi de muitas denúncias, contradições e limpeza da lama da Samarco em Minas e no Espírito Santo.

A TV Globo Minas mostrou imagens de remoção da lama em Barra Longa (60Km de Mariana) uma área perto do rio, que preocupa a população. Veja a reportagem – http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/noticia/2015/11/samarco-despeja-montanha-de-rejeitos-perto-de-rio-em-barra-longa.html

 

O rio Doce, que recebeu mais de 25 mil piscinas olímpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco. Novas amostras de água e sedimentos coletadas no Rio Doce pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), entre os dias 14 e 18 de novembro, apontam que não houve aumento na presença de metais pesados na água e nos sedimentos em relação aos dados de 2010, também coletados pela CPRM.

Em entrevista a BBC Brasil, Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ e autor de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, afirma que os efeitos no mar serão “desprezíveis”, que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar.

Para ele, a sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstrução ambiental, de custo “insignificante” para as empresas.

Ele diz que, na maior parte do percurso do rio Doce, as próprias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no período de cinco meses, e, no mar, a diluição dos sedimentos deve ocorrer de forma mais rápida – até janeiro do próximo ano.

Ao mesmo tempo, o especialista considera “inaceitável” que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regiões afetadas e que seria “criminoso” não retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.

Leia os principais trechos da entrevista:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151127_entrevista_coppe_jp

Em comunicado oficial, a Samarco informa que é remota a possibilidade da lama, que está no oceano Atlântico, siga para a Bahia e o arquipélago de Abrolhos.

COMUNICADO 78 – 28/Nov – 2015

Monitoramento da pluma de turbidez

A pluma de turbidez atingiu uma área de 26,7 km2 na região da foz de Linhares, sendo 25km ao norte, 6,9 km a leste (mar a dentro) e 4,7km ao sul (foz). Este foi o resultado do sobrevoo da última sexta-feira, 27/11, realizado por empresa especializada em aerolevantamento e georreferenciamento contratada pela Samarco. Até o momento, a pluma se encontra na região de Linhares (ES) e, de acordo com o coordenador de monitoramento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, Eduardo Topázio, é extremamente remota a possibilidade da lama chegar ao litoral sul da Bahia, principalmente nas praias de Itacaré, Alcobaça e Abrolhos, conforme nota publicada no site da instituição.

O avanço da pluma depende do comportamento das ondas e da direção do vento e, por este motivo, toda a sua extensão está sendo monitorada, diariamente, através de uma modelagem computacional, ferramenta que é alimentada por informações de campo através de condições meteorológicas e comportamento do mar. Essa modelagem simula qual é o potencial efeito das partículas que estão chegando ao oceano e o potencial alcance da pluma. A corrente do mar, a vazão da pluma, o percentual de sólido e a turbidez também estão sendo acompanhados. Além disso, amostras da água, do sedimento e da biota (conjunto de todos os seres vivos da região) estão sendo coletadas e levadas para análise.

O trabalho de monitoramento recebeu o reforço da Marinha Brasileira, que levou o navio de pesquisa Vital de Oliveira para a foz do rio Doce, localizada no município de Linhares (ES). Os pesquisadores irão auxiliar na caracterização física, química, biológica e geológica da região. Todo o trabalho que vem sendo feito pela Samarco foi apresentado, em 25/11, em um Workshop sobre “Enfrentamento e Impactos Ambientais dos Rejeitos de Mineração na Bacia da Foz do Rio Doce”. Promovido pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), o evento, que aconteceu na Capitania dos Portos do Espírito Santo, reuniu representantes do Iema, Ibama, Polícia Ambiental do Espírito Santo, Projeto Tamar, Corpo de Bombeiros, Universidade Federal do Espírito Santo e Samarco, com a proposta de avaliar os impactos do ocorrido no meio ambiente e pensar em ações de médio e longo prazo para a recuperação da fauna e flora da região.