Rompimento de barragem em Brumadinho completa seis meses

(Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação)

No dia 25 de janeiro de 2019, o Brasil testemunhou outra tragédia socioambiental: o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

A onda de lama destruiu 200 quilômetros do rio Paraopeba e deixou 248 mortos. O Corpo de Bombeiros ainda trabalha para encontrar as 22 pessoas desaparecidas. Ao todo, 2.200 militares trabalharam na operação de resgate em Brumadinho.

Informações detalhadas sobre as vítimas, estudos de movimentação da lama e cruzamento de dados são usados para definir as áreas prioritárias de buscas.

Os bombeiros estimam que os desaparecidos estão espalhados por uma área de 4 milhões de metros quadrados, que acumula mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos. 

Meio Ambiente

O Rio Paraopeba era responsável por 30% do abastecimento da população da Grande Belo Horizonte. Seis meses após o rompimento da barragem, a lama permanece acumulada no leito e nas margens do rio, que se tornou impróprio para qualquer tipo de uso.

A captação de água no Paraopeba foi inaugurada em 2015 pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) como solução para a crise hídrica que a região enfrentava.

A previsão é que os reservatórios atuais de água potável durem menos de 22 meses. A Copasa não descarta a adoção de medidas, como racionamento e rodízio, a partir do próximo ano.

Justiça

Segundo o procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, Antônio Sérgio Tonet, há evidências seguras de que a mineradora sabia dos riscos na estrutura. As investigações revelaram que a TÜD SÜD, responsável pelos laudos de estabilidade da estrutura, possuía contratos com a Vale e, com isso, não tinha uma auditoria independente como alegado. 

A apuração sobre a tragédia deve ser concluída em 90 dias e o processo criminal já conta com mais de mil páginas.

A primeira condenação da Vale no caso aconteceu no último dia 10, quando a 6ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte determinou que a mineradora deve pagar todos os danos causados pelo rompimento da barragem e manteve um bloqueio de R$11 bilhões para garantir a indenização.

Em abril, a Defensoria Pública estadual em Brumadinho fechou um acordo com a Vale para acelerar o pagamento de indenizações aos atingidos. Até o momento, 87 acordos dos 173 requerimentos feitos foram fechados. 

** Com informações do Metro Jornal e G1