Vale sabia sobre problemas de segurança de Brumadinho desde 2003

(Foto: Facebook Vale Reprodução)

É estarrecedor!! O Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário de Apuração concluiu que, desde 2003, a Vale tinha informações suficientes sobre a fragilidade na infraestrutura da barragem de Brumadinho, que se rompeu em janeiro de 2019.

Segundo o relatório, todas as medidas adotadas pela Vale não foram suficientes para impedir o rompimento da barragem. Além disso, a mineradora sabia que, em caso de rompimento, a sua capacidade de resposta seria limitada, o impacto seria significativo e o tempo de reação mínimo.

“As medidas adotadas para remediar as fragilidades e aprimorar a segurança foram limitadas e malsucedidas ou, se tivessem sido implementadas, não seriam eficientes a curto prazo para elevar a estabilidade da B1 a condições satisfatórias”, disse o comitê dedicado à apuração das causas e responsabilidades do colapso da estrutura.

O relatório também revelou que, após a tragédia em Mariana, foi realizada uma inspeção na barragem em Brumadinho, em 2016, constatou a condição frágil e outro estudo, em 2017, apontava uma situação de estabilidade “apenas marginal”.

Mas a área de geotecnia da Vale “ofereceu resistência quanto à aceitação dos resultados obtidos em 2017”.

“Evidências sugerem que a paralisação da disposição de rejeitos na barragem, em julho de 2016, foi determinada pelo então diretor executivo de ferrosos, possivelmente em razão da preocupação de segurança relacionada à B1.”

O Comitê, constituído pelo conselho de administração da Vale, em 2019, e teve suas atividades coordenadas pela ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, também afirma que não foram identificados sinais de discussões sobre a paralisação da barragem ou de seu fator de segurança baixo pelo conselho de administração da companhia, dos comitês de assessoramento e da diretoria executiva.

Até o momento, foram pagos R$3,2 bilhões em indenização e realizou três acordos para compensação direta: emergencial, civil e trabalhista.