Brasil deve se apresentar como uma potência agroambiental

(Foto Reprodução Youtube)

Usar os recursos naturais como ativo econômico, preservar o meio ambiente, ao mesmo tempo em que são cultivados alimentos saudáveis com alta produtividade podem tornar o Brasil em uma potência agroambiental no século XXI. Para isso, o governo precisa olhar para o futuro e não tentar implementar políticas defasadas.

O alerta foi dado pelos fundadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Beto Veríssimo e Paulo Barreto, e pela jornalista Míriam Leitão durante webinar, nesta terça-feira (21), que celebra os 30 anos da entidade ambiental. O Imazon é um instituto de pesquisa que tem o objetivo de produzir evidências e informação de alta qualidade, buscar soluções com foco na preservação da Amazônia e de uso da terra,  promover a sustentabilidade.

“O Brasil tem um diferencial: é uma potência ambiental. Nós temos uma natureza extraordinária. Nós podemos usar esse ativo que a natureza nos deu para turbinar o nosso agronegócio. O Brasil deve se apresentar no Século XXI como uma potência agroambiental, uma potência que conserva os seus recursos naturais, ganha dinheiro, se coloca estrategicamente no mundo com esses recursos e, ao mesmo tempo, com um agronegócio baseado em conceitos modernos de usar as áreas degradadas, de não desflorestar, de produzir com agregação de valor e alta produtividade, e com respeito as pessoas”, afirmou Veríssimo.

Os especialistas ressaltam que estes fatores já são exigências do mercado internacional. Recentemente, investidores e empresários enviaram cartas ao governo brasileiro em que pedem o fim do desmatamento, estimulados pelo aumento da demanda por produtos mais saudáveis e que preservam o meio ambiente.

Barreto afirma que, hoje, há uma participação crescente do setor privado no combate ao desmatamento e a rastreabilidade deverá ser adotada no agronegócio. “Quem é dono do dinheiro vê que a mudança climática está acelerando e ele não quer o dinheiro dele em risco. Esta fonte de pressão em um momento que o governo está menos ativo contra o desmatamento se torna mais relevante. Isso mostra que o frigorífico e o fazendeiro vão ter que mudar”.

O especialista aponta como soluções: melhorar a produtividade e plantar em áreas menores e degradadas, a restauração de áreas desmatadas, reduzir as emissões de GEE, capturar carbono da atmosfera e conservar e usar a parte florestal.

O futuro dos alimentos é outra questão que precisa receber atenção de políticos e empresários, segundo os pesquisadores. As proteínas plant-based são uma das grandes tendências do futuro e o setor já recebe investimento de grandes players, como o fundador da Microsoft, Bill Gates.

A produção de alimentos a partir da tecnologia pode fazer sobrar terra. “Corremos o risco de desmatar muito agora e ter um grande desperdício de área desmatada sem uso no futuro. Porque está surgindo uma nova forma de produção”, disse Barreto.

O fundador do Imazon, Beto Veríssimo, ressalta que o meio ambiente, a floresta e a Amazônia deixaram de ser uma pauta ambiental e se tornou uma agenda econômica, geopolítica e social.

“A Amazônia está vivendo uma tempestade perfeita. Estamos vendo o aumento do desmatamento, subdesenvolvimento econômico da Amazônica Legal – que representa 8% da PIB nacional – e gera 42% das emissões dos gases de efeito estufa. Contribuímos muito com carbono para gerar pouca riqueza e a subida do desmatamento só vai agravar essa relação. Nós precisar dar um “choque” na Amazônia se quisermos ter um futuro”, disse.

“Nós estamos em uma crise climática. A ciência avançou e está muito claro o que nos espera pela frente se a gente não mudar a trajetória das emissões de gases de efeito estufa. A Amazônia é um componente fundamental em qualquer solução planetária para enfrentarmos esta crise”, alertou.