Cerrado degradado não se regenera naturalmente, diz estudo

(Foto: WWF-Brasil)

O Cerrado tem um potencial de regeneração natural muito alto. Mas até que ponto vai sua resiliência? A pesquisadora Gisela Durigan, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), coordena um estudo em áreas de antigas pastagens e iniciou uma regeneração natural. Ela explica que a regeneração natural do Cerrado se restringe às espécies arbóreas, o que significa dizer que o empobrecimento da vegetação decorrente da agropecuária é definitivo.

“Uma vez eliminada, a vegetação rasteira ou de pequeno porte, que compõe o estrato herbáceo-arbustivo e que contém a maior parte das espécies endêmicas, não se regenera. Então, quando a pastagem é simplesmente abandonada, ela se transforma, depois de algum tempo, em um cerradão, que é uma formação caracterizada por vegetação muito adensada, com grande predomínio de árvores e pobre em biodiversidade”, afirmou Durigan.

O estudo publicado no Journal of Applied Ecology,  mostra que a pesquisa abrangeu 29 áreas no Estado de São Paulo, que constituem a maior riqueza da flora do Cerrado. Apesar de estarem localizadas em regiões diferentes, essas 29 áreas, com idades variando de quatro a 25 anos, puderam ser ordenadas em uma sequência cronológica no que se refere ao estágio de regeneração.

Alguns dos mais importantes rios do Brasil – Xingu, Tocantins, Araguaia, São Francisco, Parnaíba, Gurupi, Jequitinhonha, Paraná e Paraguai, entre outros – nascem no Cerrado. Trata-se da única savana do planeta dotada de rios perenes. A rápida conversão do Cerrado em pastagens e lavouras e o manejo inadequado das áreas preservadas colocam em risco esse formidável recurso natural, em um país com o terceiro maior potencial hidrelétrico tecnicamente aproveitável do mundo, e em que 77,2% da matriz elétrica é suprida pela hidroeletricidade.

Além disso, a destruição do Cerrado constitui uma perda inestimável em termos de biodiversidade, pois, na microescala, esse bioma, que pode apresentar 35 espécies diferentes de plantas por metro quadrado, é mais rico em flora e fauna do que a floresta tropical.

Fonte: Agência Fapesp