Acordo de Paris pode evitar 3,3 milhões de casos de dengue por ano

(Foto: Wikimedia Commons)

Se os países conseguirem limitar o aquecimento global em 1,5ºC, conforme prevê a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, poderão ser evitados cerca de 3,3 milhões de casos de dengue por ano na América Latina e no Caribe, até 2100.

De acordo com o novo estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, se a temperatura ultrapassar 2ºC, ainda poderão ser evitados 2,8 milhões casos por ano até o fim do século. Entretanto, se o índice ultrapassa os 3ºC, serão 7,5 milhões de novos casos de dengue no mundo.

O México, alguns países do Caribe, o norte do Equador, a Colômbia, a Venezuela e o litoral brasileiro estão no topo do ranking de áreas afetadas. Com o aquecimento do planeta contido em 1,5ºC, o Brasil seria o país mais beneficiado, podendo evitar meio milhão de casos de dengue por ano.

Os cientistas também descobriram que a limitação da temperatura pode evitar o aumento da incidência da doença em países que tem poucos casos, como o Paraguai e a Argentina. A transformação de um ecossistema facilita o deslocamento de espécies e a proliferação de agentes patogênicos pelo planeta. Suspeita-se que a epidemia de zika de 2015, por exemplo, tenha relação direta com o aquecimento anormal agravado pelo El Niño.

“O aumento da temperatura se coloca como uma grave ameaça à saúde da população brasileira, com o agravante que sabemos que o aumento da temperatura é desigual – e algumas regiões se aquecem mais que outras”, disse o líder da pesquisa Felipe Colón-González, da Escola de Ciências Ambientais da Universidade East Anglia, no Reino Unido.

A dengue é uma doença tipicamente tropical, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti em mais de 100 países. Ela infecta cerca de 390 milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano, com uma estimativa de 54 milhões de casos na América Latina e no Caribe.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade de East Anglia, no Reino Unido, em colaboração com cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso.

** Com informações do Observatório do Clima