Brasil enfrenta extremos climáticos

Seca no Piauí Foto - Portal Brasil

Por ser o maior país da América do Sul e o quinto do mundo em extensão territorial, o Brasil sempre foi um país de contrastes, inclusive com a diferença do clima de norte a sul. Porém com o aquecimento global, as características em cada região se intensificaram ou tiveram mudanças bruscas, causando inúmeros danos à população.

Desde a última sexta-feira, 14 de outubro, os estados da Região Sul estão sendo atingidos por fortes chuvas e vendavais, devido ao calor intenso associado à alta umidade vinda da Amazônia.

De acordo com o último balanço da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, 50 municípios estão em estado de alerta, 1.394 residências foram afetadas e cerca de 400 famílias estão desabrigadas. Não há feridos.

Foto- Vale Caí/Defesa Civil RS
Foto- Vale Caí/Defesa Civil RS

A previsão é que a chuva persista até amanhã, quando o tempo começa a melhorar em todo o Estado gaúcho. Porém, a preocupação com danos causados pelos temporais deve permanecer até sábado, por causa do nível dos rios Caí e Taquari – que devem permanecer acima do normal – o Rio Sinos, que transbordou, e o Rio Jacuí, que pode alcançar os níveis de alerta.

“Como o solo está muito saturado e não absorve a água da chuva, acredito que nos próximos dias alguns rios continuem a subir, e aqueles que já estão muito altos demorem a baixar. As famílias que deixaram suas casas não vão conseguir logo. Talvez mais pessoas sejam afetadas”, afirmou o Tenente-Coronel Alexandre Martins, chefe da Defesa Civil Estadual, em entrevista ao jornal Zero Hora.

O estado de Santa Catarina já registrou duas mortes em decorrência dos temporais. Segundo a Defesa Civil, mais de 6 mil pessoas foram afetadas e 177 estão desalojadas.

Ao todo, 47 municípios tiveram prejuízos. No último domingo (16), a cidade de Balneário Rincão teve um “tsunami meteorológico”, fenômeno que ocorre quando uma quantidade de nuvens carregadas e fortes ventos avançam rapidamente sobre o mar e formam uma grande onda que chega até a praia.

O prefeito de Tubarão, Olavio Falchetti, decretou situação de emergência. Atualmente, mais de 25 mil pessoas sem luz. No Sul de Santa Catarina, mais de 12 mil alunos estão sem aulas.

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, se reuniu com o governador do estado Raimundo Colombo para definir o pacote de ajuda federal as vítimas, assim que os municípios decretarem situação de emergência ou calamidade pública.

O governo estadual (SC) e os municípios farão o levantamento dos danos e apresentarão suas demandas à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec/MI), que pode ajudar na assistência imediata às famílias atingidas com envio de ajuda emergencial, como kits de alimentação, de limpeza e de higiene pessoal. Outra medida anunciada foi a viabilização da liberação de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para trabalhadores que tiveram suas casas atingidas.

Região Nordeste

Enquanto no Sul está chovendo demais, no Nordeste a população sofre com a seca. Apesar de ser um efeito climático natural, a estiagem se intensificou desde o início de 2012 e já é considerada a mais severa em décadas.

O grande responsável é o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, que se espalham em direção as Américas do Norte e do Sul.

Segundo o hidrologista e meteorologista José Antonio Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), “as projeções de clima geradas pelos modelos climáticos sugerem que, daqui para a frente, as estiagens mais severas e prolongadas tenderão a ser a regra, não mais a exceção. A temperatura média no Nordeste aumentou 0,8ºC entre 1900 e 2000 e as projeções indicam que, na melhor das hipóteses, o aquecimento vai aumentar 2ºC até 2040. No pior dos cenários, até 4,4ºC até 2100”.

A seca comprometeu o abastecimento de água a população. De acordo com o superintendente adjunto da Agência Nacional das Águas (ANA), Patrick Thomas, “este ano, nós chegamos a um armazenamento da ordem de 20% na região nordeste como um todo, sendo que a situação está mais grave no Ceará, Paraíba, Pernambuco e no Rio Grande do Norte”, afirmou em entrevista a Rádio da Agência Brasil.

Como consequência da falta de água, os estados estão sendo atingidos por focos de queimadas e perda de produção agrícola. No Piauí, mais da metade dos municípios está em situação de emergência, a produção de soja teve uma queda de 65%, em comparação a 2015, e o exército distribui água para a população rural de 70 cidades.

Foto- Teresina Diário
Foto- Teresina Diário

Em Sergipe, o volume baixo de chuvas atingiu todo o estado, até mesmo no litoral, que costuma ser a região em que mais chove. Mais de 171 mil pessoas são afetadas pela seca e a produção de feijão caiu 80% – o pior resultado desde 2011.

No Ceará, a Companhia de Água e Esgoto (Cagece) do estado estabeleceu um rodízio para atendimento dos bairros do município de Cratéus. Às segundas, quintas e sextas, a água seria liberada para os bairros da parte baixa da cidade. Às terças, quartas, sábados e domingos, era a vez da parte alta, onde fica a maior parte dos bairros

Por sua vez, o Maranhão está em situação de emergência e é o estado com o maior número de focos de queimadas, com 4.300 pontos. Famílias de cinco cidades estão desabrigadas, centenas de cabeças de gado já morreram carbonizadas e lavouras inteiras foram destruídas.

** Com informações do Zero Hora, G1, UOL e Agência Brasil