Comunidades isoladas da Amazônia usam energia solar para purificar a água

Apesar da abundância de água nos rios da Amazônia, nem toda fonte é pura, por mais incrível que se possa imaginar. É o que garante o pesquisador do INPA, Carlos Bueno, em entrevista à  Agência Brasil. Os purificadores de água compactos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia estão garantindo água potável para comunidades isoladas da região amazônica.

Os aparelhos funcionam com energia solar e fornecem em locais remotos, sem acesso à energia elétrica. Entre as 13 populações com o purificador já instalado, estão os índios da etnia Deni, que residem a 25 dias de barco de Manaus, no Alto Rio Juruá. Acoplado a um painel de energia solar e à caixa de água das comunidades, o purificador filtra 400 litros por hora, ou seja, 5 mil litros por dia, o suficiente para fornecer água limpa para beber e cozinhar a 300 pessoas.

O purificador elimina 99,5% das bactérias, fungos e coliformes da água dos rios por meio de uma lâmpada de luz ultravioleta C, os raios mais perigosos da radiação ultravioleta. A lâmpada é colocada no interior de um tubo metálico. Quando a água passa pelo tubo é bombardeada pela luz e sai desinfetada. Um painel de energia solar carrega a bateria que acende a luz.

O Instituto tem 56 aparelhos montados. De acordo com o pesquisador, ainda este ano, serão instalados dois purificadores em cada estado da Região Norte, em comunidades isoladas, unidades de conservação e pelotões de fronteira do Exército. Todo o sistema custa R$ 2 mil, incluindo o painel solar e o filtro de entrada. ”

O instituto também fez parceria com o Exército para desenvolver um projeto chamado Homem Água, que consiste em um modelo mais compacto do aparelho que vai caber em uma mochila. “Quando os soldados estiverem em treinamentos na selva, por exemplo, vão poder instalar o sistema e tratar água para o pelotão inteiro tomar quando pararem”, explicou Bueno.

Notícia: Maiana Diniz – Agência Brasil – EBC