Corais no Brasil e na Austrália sofrem com branqueamento massivo

(Foto: Centro de Excelência ARC para Estudos de Recifes de Coral)

A Grande Barreira de Coral, no nordeste da Austrália, sofre com o branqueamento mais grave já registrado. Em cinco anos, é a terceira vez que o recife enfrenta o fenômeno.

A degradação dos recifes é impulsionada pela pesca em larga escala e o branqueamento, fenômeno causado pelo aquecimento global. A mudança climática eleva a temperatura dos oceanos. Isso faz com que algas, que alimentam outros animais marinhos, percam o seu pigmento e deixem de fornecer nutrientes para outras espécies.

Segundo o pesquisador Terry Hughes, da Universidade James Cook, as três regiões da grande barreira – norte, a central e o sul – foram atingidas pelo branqueamento.

Esta é a quarta vez que isso ocorre no ecossistema. A primeira vez foi em 1998. O evento se repetiu em 2002, 2016, 2017 e agora em 2020, à medida que os registros de temperaturas foram quebrados nos últimos cinco anos.

“O branqueamento não é necessariamente fatal e afeta algumas espécies mais que outras. Um coral pálido ou levemente branqueado normalmente recupera sua cor dentro de algumas semanas ou meses e sobrevive”, diz o professor Morgan Pratchett, da Universidade James Cook.

Entretanto, muitos corais morrem quando o branqueamento é grave. Em 2016, mais da metade dos corais de águas rasas morreram na região norte da Grande Barreira de Corais.

O fenômeno também atinge os corais no Rio Grande do Norte. Em 2010, estudos mostraram que 70% da área monitorada tinha sido afetada. Hoje, o impacto do branqueamento é superior a 80%, o maior da história, segundo o biólogo e pesquisador Guilherme Longo.

Além da quantidade de corais branqueados, os cientistas estão preocupados com a biodiversidade. No Brasil existem 16 espécies de corais verdadeiros – que possuem esqueleto. Na área monitorada todas as cinco espécies dominantes foram afetadas.

Os recifes de corais produzem uma variedade de habitats para inúmeras espécies de animais e abrigam, aproximadamente, 25% da biodiversidade marinha global. Além de fornecerem alimento e renda para um bilhão de pessoas e gerarem 9,6 bilhões de dólares por ano em atividades ligadas ao turismo.