Centro-Oeste e Nordeste enfrentam a maior crise hídrica da história

(Foto: Reprodução/ Portal Campo Belo)

As chuvas acima da média, a economia feita pela população e as obras estruturais do governo fizeram com que o estado de São Paulo conseguisse sair da crise hídrica, após dois anos.

Mas infelizmente a falta d’água ainda é uma situação presente em outros estados do país. Segundo um levantamento feito pelo Globo, 25 milhões de brasileiros estão enfrentando a crise hídrica.

Distrito Federal

Mesmo com o período de chuvas, o volume da barragem do Rio Descoberto, que abastece 65% da população no Distrito Federal (DF), chegou a 19,91% da sua capacidade, na manhã desta segunda-feira.

A Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) informou que o índice aumentou as chances de implantar o racionamento, mas que a empresa só tomará uma decisão sobre o assunto no fim do mês.

“Estamos estudando as medidas cabíveis e vamos ter um posicionamento até o fim do mês. Já estamos prevendo uma melhora nos reservatórios ainda essa semana, a partir de quarta-feira, quando as chuvas devem voltar por alguns dias”, afirmou a Caesb ao G1.

Em nota divulgada no ano passado, a Caesb disse que vai implantar o racionamento quando considerar ser “o momento mais oportuno” e que “para isso, levará em consideração três fatores: o ritmo de queda dos reservatórios, as previsões de chuva para o Distrito Federal, e o nível de consumo de água pela população”.

Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente do Comitê da Bacia do Paranoá, Jorge Werneck, a principal responsável pela crise hídrica no DF é a mudança no regime de chuvas.

“Na década de 70, a chuva média era em torno de 1.500 a 1.6000 milímetros. A gente tem acompanhado o rebaixamento ao longo dos anos do lençol freático, mesmo em áreas naturais. Mas esse problema se agrava ainda mais com um processo de impermeabilização do solo, mau uso do solo, tanto na área urbana como na área rural”, explicou Werneck em entrevista a Agência Brasil.

O segundo reservatório a bacia de Santa Maria, responsável pelo abastecimento de 22% do Distrito Federal, opera atualmente com 41,67% da sua capacidade e preocupa menos.

Nordeste

Há seis anos, o Nordeste enfrenta a pior seca do século e, pelo visto, não vai terminar tão cedo. Dos 2.346 açudes distribuídos entre Paraíba e o Rio Grande do Norte, apenas 51 não estão secos. No Rio Grande do Norte, quase metade dos açudes estão sem água. No Ceará, oito em cada dez reservatórios estão com menos de 10% da capacidade.

O Ministério da Integração Nacional em Campina Grande, na Paraíba, por exemplo, estima que a partir de março de 2017, a cidade poderá entrar em colapso pela falta d’água, caso não chova. Cerca de 500 mil pessoas já convivem com rodízio na região desde o segundo semestre de 2016.

Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu (que passa pela Paraíba e o Rio Grande do Norte), José Procópio Lucena, a construção de cisternas pelo governo na região contribuíram para as pessoas permanecerem nas suas casas e não ter êxodo na região.

“A situação é extremamente crítica, em toda a região da bacia temos menos de 10% de capacidade de água reservada. Mas temos que entender que no semiárido a seca é um fenômeno natural. Ela pode acentuar as dificuldades, mas não é ela que causa a fome. Precisamos aprender a conviver com essa situação”, explicou Lucena ao Globo.

No momento, 820 das 1.050 cidades afetadas pela seca dependem de caminhões-pipa para o abastecimento da população.

Para melhorar a crise hídrica na Paraíba e em Pernambuco, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinaram no mês passado um termo de empréstimo de quatro conjuntos de motobombas e outros equipamentos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), utilizados durante a crise hídrica no estado paulista. O equipamento irá viabilizar a antecipação da chegada da água do Projeto de Integração do Rio São Francisco aos estados nordestinos.

** Com informações da Agência Brasil, do G1 e do Globo