Governador do Distrito Federal previu crise hídrica em 2011

(Foto: Tony Winston/ Agência Brasilia)

Há, pelo menos, cinco anos, especialistas em meio ambiente e gestores políticos, entre eles o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, previram a crise hídrica que atinge o Distrito Federal desde o ano passado.

Entre 2011 e 2012, quando iniciava o mandato de senador do DF, Rollemberg publicou mensagens no Twitter alertando para os riscos da capital brasileira enfrentar uma crise hídrica a partir de 2015, além problemas ambientais, como o desmatamento.

Apesar do risco de crise hídrica, Rollemberg não lançou nenhuma política pública de proteção ambiental nos dois primeiros anos de governo. Procurado pelo site G1 para comentar sobre as mensagens postadas nas redes sociais, o governo não se posicionou a respeito.

Em entrevista no fim de 2016, o superintendente de Planejamento e Programas Especiais da Agência Reguladora de Água, Energia e Saneamento do DF (Adasa), José Bento da Rocha, afirmou ao G1 que as principais iniciativas do governo local para garantir a oferta de água ainda eram embrionárias e dependiam de verba externa.

“O Ibram tinha um projeto ‘Adote uma Nascente’, que está quase morto. Teve um pico, mas estava em reestruturação, traumatizado. O Cultivando Água Boa, do GDF, começou agora e depende de financiamento do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], não caminha sozinho. O pagamento por serviços ambientais no [córrego] Pipiripau está no quinto ano, mas teve problemas neonatais, engatinhou, ainda não está a pleno vapor”, enumerou.

Com a escassez de água e de recursos públicos por causa da crise, a Adasa – agência reguladora do setor – se transformou em uma das principais financiadoras das políticas de preservação de nascentes e rios.

De acordo com o presidente do Conselho de Recursos Hídricos e secretário de Meio Ambiente, André Lima, iniciativas como o Programa Produtor de Água –criado pela Agência Nacional de Águas (ANA) – e o Cultivando Água Boa são alternativas quem no médio prazo, podem ajudar a recuperar a saúde hídrica do Distrito Federal.

O presidente afirmou ao G1 que essa lista de ideias forma uma “grande política ambiental”, mas minimizou o papel do governo em todo esse processo.

“Essa recuperação de nascentes não é uma obrigação do governo, e sim do proprietário das áreas rurais. O que estamos fazendo é captar recursos para ajudar esses proprietários. Considere que nunca nada foi feito, ou muito pouco foi feito até 1º de janeiro de 2016. Não tinha recurso, não tinha cadastro, a grilagem de terra grassava e rolava solta. Isso tudo é uma estratégia, não são ações isoladas”, disse.

Para ajudar na recuperação e conservação de nascentes, houve um investimento de R$ 1,3 milhão na criação do Cadastro Ambiental Rural, que deve auxiliar no mapeamento de áreas mais críticas, identificar os responsáveis e cobrar medidas energéticas.

“A partir desse cadastro, podemos identificar quantas nascentes precisam ser recuperadas, quais estão sendo protegidas. […] O que houve foi um descumprimento generalizado [do Código Florestal]. Todo esse debate se deve justamente pelo grande, amplo passivo no cumprimento”, diz Lima.

Questionado sobre a falta de efeitos no curto prazo pelo G1, Lima afirmou que as “ações estruturantes não são para resolver problemas emergenciais” e que as decisões emergenciais têm foco na educação para a redução do uso, nas recomendações ao governo e no aumento das verbas para pesquisa.

Atualmente, o Distrito Federal enfrenta a pior crise hídrica desde 1960 e está com racionamento de água. A Caesb, empresa responsável pelo abastecimento de água no Distrito Federal, afirmou que está considerando aumentar o período de corte de água para cada região da cidade, podendo levar até dois dias para o sistema voltar.

Enquanto a população enfrenta o racionamento, o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, aumentou 64,18% o consumo de água e gastou R$1,6 milhão nos últimos dois anos, segundo relatório obtido pelo G1.

Fonte: G1