Mais de 300 cidades nordestinas estão com racionamento de água

(Foto: Pnuma)

Enfrentando a pior seca da história nos últimos seis anos, a Região Nordeste tem mais de 303 cidades com racionamento de água e 800 municípios estão em situação de emergência.

Algumas dessas cidades estão com as torneiras secas há mais de três anos. Em entrevista ao G1, a dona Severina Angelina da Conceição, que mora em Puxinanã, na Paraíba, contou que quase todo o seu dinheiro da aposentadoria é usado para comprar água desde 2014.

“Em lugar de eu comprar um remédio fortificante para mim, ajudo a encher aqueles tonéis d’água. Quando é menos é R$ 40, quando é mais é R$ 50, R$ 60 de água”, contou a agricultora.

O agreste pernambucano também enfrenta uma situação parecida. Em Santa Cruz do Capibaribe, a água sai da torneira apenas dois dias por mês desde 2013.

No Ceará, 30 cidades estão em racionamento. Municípios na região serrana, que não têm reservatórios, dependem de poços que estão praticamente secos. Como é o caso de Mulungu, que intercalou o abastecimento na cidade: durante três dias, água chega para uma parte dos moradores, nos outros três, vai para a outra parte.

Com problema no coração, Maria José Tavares não pode buscar água no chafariz. Improvisou um cano que chega até a casa dela. Sem poder contar com a água da torneira, a Maria José se vira como pode: colocou bem no meio da casa uma caixa de 500 L para acumular a água que chega do chafariz uma vez por semana. Do lado de fora, ainda mantém balde e bacia para captar um pouco da água da chuva para usar no banheiro. Mesmo assim, o que ela consegue armazenar não é suficiente.

Questionados pelo G1, a Companhia de Abastecimento informou que suspendeu a cobrança para os moradores do bairro por falta d’água.

A Companhia de Abastecimento de Pernambuco disse que já terminou as obras da adutora de Pirangí, que abastece seis municípios do agreste, incluindo Santa Cruz do Capibaribe, e as bombas devem começar a funcionar esta semana.

Sobre a situação de Puxinanã, a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba informou que o açude que abastece Campina Grande e 18 cidades da região está com apenas 3% da capacidade e que o racionamento só vai ser suspenso quando as águas do Rio São Francisco chegarem à barragem.

** Fonte: G1