Desmatamento reduz tamanho de peixes em região amazônica, e não é mentira de pescador

(Foto: Globalgeo)

Uma pesquisa do Instituto de Biociências (IB) da USP mostra que houve diminuição no tamanho de algumas espécies de peixes. No Rio Xingu, o ecólogo Paulo Ricardo Ilha Jiquiriçá coletou quase 4 mil peixes de 36 espécies diferentes na região de Canarana, no Mato Grosso.  “Percebemos que o tamanho corporal dos peixes nos riachos em áreas agrícolas era significativamente menor em comparação com os riachos em áreas de florestas”, conta.

A constatação que mais chamou a atenção foi a de que quatro das seis espécies mais abundantes nos riachos estudados diminuíram de tamanho (em massa), entre 44% e 57%, nas áreas agrícolas. “É provável que o aquecimento da água seja responsável, ao menos em parte, pela redução de tamanho dessas espécies” acredita.

Medições feitas em campo mostraram que nos riachos de florestas e ainda não alterados em suas características as temperaturas da água eram, em média, entre 24 graus Celsius (°C) e 26°C. “Já nos riachos em áreas agrícolas, nas horas mais quentes do dia, as temperaturas atingiram até 35°C”, descreve. Para testar essa hipótese, Paulo realizou um experimento em laboratório no Departamento de Fisiologia do IB em colaboração com o professor Carlos Arturo Navas Ianini.

Desde 2011, Paulo passou cerca de 18 meses em pesquisas de campo, residindo em Canarana. Lá, em colaboração com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), coletou em seis riachos, sendo três localizados em áreas de florestas e outros três em áreas agrícolas.

Diversas alterações na fauna de peixes foram observadas nos riachos em áreas agrícolas e relacionadas a alterações ambientais. Paulo cita como exemplo uma espécie de rivulídeo, parente dos “killifishes” de aquário, que mede menos de 4 centímetros (cm) e aumentou em abundância nos riachos agrícolas. Após o desmatamento, as margenssão invadidas por gramíneas (Brachiarias) que reduzem a profundidade e criam um ambiente onde os predadores dos rivulídeos não conseguem alcançá-los, o que permite sua proliferação”, conta. “Ao menos três espécies de pequenas ‘piabas’ que eram comuns em trechos de água corrente não foram encontradas em trechos represados”, conta.

Fonte: Agência USP