Desmatamento da Amazônia pode triplicar nos próximos anos

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(Foto: Pixabay)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável por monitorar o desmatamento na Amazônia, projeta que a perda da floresta pode subir para 25,6 mil km² por ano, um aumento de 268% em relação aos 6,9 mil km² desmatados no ano passado.

O valor é próximo das taxas observadas no início dos anos 2000, quando foi registrado o recorde de 27,8 mil km² desmatados em 2004. Desde então, as medidas adotadas pelo Ministério do Meio Ambiente reduziram o índice em 83%, chegando a 4,6 mil km² em 2012, o valor mais baixo de desmatamento.

A estimativa foi calculada com base na integração do Ministério do Meio Ambiente ao da Agricultura, a redução do trabalho de fiscalização do Ibama e a autorização de atividades mineradoras em terras indígenas, situações propostas pelo candidato à presidência, Jair Bolsonaro.

“Simulamos o não cumprimento do Código Florestal, com a competição pelo uso da terra sendo regida pela demanda. O resultado é que, em uma década, o desmatamento médio vai para 25,6 mil km². Não é algo absurdo de se imaginar, pois já tivemos taxas parecidas em 2004, quando praticamente não havia políticas de combate ao desmatamento”, explica Aline Soterroni, matemática e cientista da computação do INPE, ao Estadão.

Em relação as emissões de gases de efeito estufa do Brasil, os pesquisadores estimam que sejam emitidas 13,12 gigatoneladas de dióxido de carbono acumuladas entre 2021 e 2030, tornando praticamente impossível o Brasil cumprir seu compromisso com o Acordo de Paris.

** Com informações do Estadão