Desmatamento na Amazônia ultrapassa 10 mil km² em um ano

(Foto: Pixabay)

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, foram desmatados 10.129 km² na Amazônia, um aumento de 34,4% em relação ao período anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os dados foram coletados e consolidados no relatório do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

O sistema considera o intervalo entre agosto e julho por ser o período que abrange tanto as épocas de chuva quanto as de seca na região amazônica.

Em novembro, os pesquisadores projetaram que o desmatamento seria de 9,762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019. A estimativa foi superada em 3,76% e o índice chegou a 10.129 km², a maior área desmatada desde 2008.

Segundo o Inpe, quatro estados são responsáveis por 84,5% do desmatamento. O Pará é o estado com a maior área de desmate, com 4.172 km², que representa 41,19% do total. 

Seguido pelo Mato Grosso (1.702 km²), Amazonas (1.434 km²), Rondônia (1.257 km²), Acre (688 km²), Roraima (682 km²), Maranhão (237 km²), Tocantins (23 km²) e Amapá (32 km²).

Pandemia

O número de pacientes com problemas respiratórios deve ter um grande crescimento nas próximas semanas nos estados amazônicos.

De acordo com o Climatempo, com o fim do período de chuvas, desmatadores costumam retornar aos locais onde a floresta foi derrubada para queimar os restos e “limpar” o terreno.

“Se continuar o ritmo intenso de desmatamento nos próximos meses, que é quando, geralmente, há aumento porque fica mais seco e mais fácil de entrar na mata com o trator, haverá uma área bem maior pra queimar, que pode chegar a 9 mil quilômetros quadrados. Pode ser uma área nunca vista antes para queimar”, afirmou Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam).

A fumaça das queimadas pode provocar uma síndrome respiratória aguda grave. Um estudo da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, aponta que mesmo um pequeno aumento da poluição pode elevar a taxa de mortalidade por Covid-19.

Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu que viver em uma cidade próxima a focos de calor aumenta em 36% a probabilidade de internação.