Servidores do Ibama projetam alta de 28% no desmatamento na Amazônia

(Foto: Ibama/ Vinícius Mendonça)

Mais de 600 servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicaram uma carta aberta em que alertam que o desmatamento na Amazônia em 2020 pode aumentar 28% em relação ao ano anterior. A estimativa considera o período entre agosto de 2019 e julho de 2020.

A carta é destinada ao vice-presidente Hamilton Mourão, que comanda o Conselho da Amazônia, ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

No documento, os servidores afirmam que o desmatamento até o dia 09 de julho era 13% maior que o ano anterior. Mas a tendência é que o percentual alcance 28% e a área total desmatada seja de 13 mil km².

Os servidores ressaltaram que as medidas propostas no ano passado foram ignoradas pelo governo e que a preservação do meio ambiente deve ser encarada como uma questão estratégicas para o país.

O agronegócio, por exemplo, pode sofrer sanções se os compradores considerem que a produção é feita em áreas desmatadas ilegalmente.

“Impedir a destruição ambiental no Brasil possibilita inclusive o esvaziamento de pretextos para imposição de barreiras comerciais contra o Brasil. Seja como for, a conjugação de tais temas interessa à soberania nacional”, afirmam no documento.

Nos últimos meses, investidores e empresários enviaram cartas ao governo em que pedem o fim do desmatamento e a preservação do meio ambiente.

Nos dias 10 e 11 de julho, Mourão se reuniu com ministros, fundos de investimentos estrangeiro e empresas brasileiras. Nas reuniões, o vice-presidente confirmou o comprometimento do Brasil com o meio ambiente.