A sexta extinção

(Foto: Reprodução/ Mount Kenya Wildlife Conservancy)

Matéria realmente preocupante publicada no El País, jornal espanhol de circulação internacional, fala sobre a extinção dos grandes mamíferos, como girafas e elefantes. O artigo utiliza filmes de ficção para falar das megacidades futurísticas sem a presença de animais, como Blade Runner.

“É o acontecimento mais importante de nosso tempo. A situação é muito grave. Na verdade, não poderia ser mais grave”, diz Elizabeth Kolbert, jornalista norte-americana que no ano passado ganhou o Prêmio Pulitzer por seu livro cujo título é precisamente A Sexta Extinção – Uma História Não Natural, que o presidente Barack Obama recomendou em numerosas ocasiões.

“É importante perceber que alguns ecossistemas, como recifes de coral, estão entrando em colapso atualmente”, acrescenta a jornalista da revista The New Yorker. E a National Geographic, em um artigo recente, levantou a questão de forma ainda mais dramática: “Os seres humanos sobreviverão à sexta extinção?”.

Nos quatro bilhões de anos que se passaram desde o início da vida na Terra, houve cinco episódios de extinção em massa de espécies. O mais famoso de todos ocorreu 66 milhões de anos atrás, no Cretáceo, quando o impacto de um meteorito causou a aniquilação dos dinossauros e de 80% das espécies terrestres.

No entanto, esta sexta extinção tem uma diferença fundamental com as outras: somos os responsáveis. Desde o ano 1500, 322 espécies foram extintas, mas agora o processo está em plena aceleração. Anthony Barnosky, paleobiólogo na Universidade Stanford (EUA) e especialista no funcionamento de ecossistemas, resume a situação: “Se não tomarmos medidas diante da atual crise, os netos de nossos filhos viverão em um mundo no qual três quartas partes das espécies que existem na atualidade terão desaparecido para sempre”. Nos oceanos, continua Barnosky, muitos dos animais dos quais nos alimentamos, como o atum, terão também desaparecido.

A causa não é apenas a mudança climática. Lugares que abrigam a maior diversidade de megafauna existente. O grupo de espécies em risco de extinção inclui alguns dos animais mais emblemáticos do mundo, como os gorilas, rinocerontes e grandes felinos. Ironicamente, essas espécies estão desaparecendo justamente quando se torna cada vez mais evidente o papel; o essencial que desempenham nos ecossistemas”.

Nos últimos anos, tem aumentado o número de pesquisas científicas de todos os tipos de centros de estudo e universidades, que traçam um panorama cada vez mais preocupante. Para citar apenas as mais recentes, em outubro passado a organização de conservação global WWF publicou a última edição de seu Índice Planeta Vivo, um relatório bianual que monitora 14.152 populações de 3.706 espécies, e concluía que, entre 1970 e 2012, houve um declínio de 58% desses animais em todo o mundo. Se a situação não melhorar, a WWF indicou que, em 2020, dois terços dos animais selvagens terão desaparecido em relação à quantidade de 1970 (uma queda de 67%).