AGROECOLOGIA NO BRASIL E A LUTA CONTRA AGROTÓXICOS E TRANSGÊNICOS

Bons ventos sopram no campo das ideias, para quem faz do campo a força do trabalho, o cultivo dos alimentos e a posse de suas tradições. Sim, o Brasil vai além da luta do MST pela Reforma Agrária. Não basta a distribuição das terras, sem infraestrutura para seu aproveitamento, com a dedicação orgânica que se pretende no mundo da alimentação.

Nesse paradigma, forças que se opõe ao agronegócio procuram se organizar. No dia 25 de julho em Irati (PR), reuniram-se entidades comprometidas com a Agroecologia, como a ABA que congrega cientistas, agrônomos, técnicos, agricultores e estudantes com formação ambientalista. Daí surgiu a Articulação Nacional de Agroecologia, somaram-se o Movimento Social Agroecológico e outras representações que lutam contra os transgênicos, agrotóxicos e outros males do campo.

Nesse encontro, a 14a Jornada Agroecológica, os quatro mil participantes redigiram um documento por uma terra livre de agrotóxicos e construção de um projeto popular de agricultura orgânica. Entre outras coisas, pede a formação de um Conselho Nacional de Biosegurança, para monitorar o plantio de alimentos transgênicos; a criação de um Fundo específico para o setor; organizar a distribuição de alimentos saudáveis na merenda escolar, principalmente no campo e outras reivindicações sociais igualmente relevantes.

Nos dizeres dos organizadores, “nosso compromisso é com a Agroecologia e assim damos continuidade a nossa luta por uma Terra Livre de Latifúndios, Sem Transgênicos e Sem Agrotóxicos, e pela construção de um Projeto Popular e Soberano para a Agricultura.”

Lembrando que em 2013 o governo lançou o PLANAPO – PLANO NAICONAL DE AGROECOLOGIA E PRODUÇÃO ORGÂNICA, considerado um avanço, mas com migalhas de recursos se comparado aos R$ 159 bilhões destinados ao Agronegócio e R$ 28 bilhões para a agricultura familiar.

PANTANAL AMEAÇADO POR AGROTÓXICOS

A luta da ABA não é só no campo da mobilização. Temos exemplos acontecendo em um dos principais Biomas do Brasil: o Pantanal. Grande expansão das lavouras está localizada na região pantaneira de Cáceres, principal município mato-grossense.Só a Grendene segundo os militantes divulgaram – tem planos para produzir 40 mil toneladas de soja nos próximos anos, em propriedade de 45 mil hectares, onde a principal atividade é a pecuária. Cáceres detém o maior rebanho bovino do estado – cerca de 1 milhão de cabeças. A expansão das lavouras de soja se dá justamente sobre áreas de pastos degradadas.

Uma série de estudos liderada pelo médico toxicologista Wanderlei Pignati mostrou que a conversão de florestas em lavouras na região norte do estado provocou exposição de 136 litros de agrotóxicos por habitante em 2010. Análise feita no município de Lucas do Rio Verde identificou contaminação em 83% dos poços de água da cidade. E ainda em 56% das amostras de chuva e em 25% das de ar. As consequências de contaminação semelhante no Pantanal seriam “terríveis”, de acordo com Pignati, em entrevista ao O Estado de Minas”.

A região vai abrigar um porto para escoar toda essa produção, na chamada hidrovia Paraguai-Paraná.  Para permitir a navegação de embarcações de maior calado planejam-se obras de dragagens, regularização do leito do rio, retirada de rochas e modificações no canal natural. Impactos como o aumento da velocidade das águas e alterações na inundação do Pantanal vão acontecer certamente.

Não se pode deter o progresso, mas podemos minimizar os impactos e proteger um dos biomas mais ricos do mundo, o nosso Pantanal.