Megaoperação devolve o maior número de peixes-bois da história na Amazônia

(Foto: Karen Canto/ INPA)

A operação contou com profissionais convidados vindos do Japão e do Aquário de São Paulo – parceiros do projeto – do Peru, do Centro de Mamíferos Aquáticos do ICMBio (Santos-SP), Universidade Federal de Londrina e o Centro de Mamíferos Aquáticos de Preservação de Balbina (AM).

Um a um, dez dos 23 peixes-bois foram retirados de um lago de piscicultura, o semicativeiro, que fica no Município de Manacapuru (a 84 km de distância de Manaus) e transportados para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu Purus, no Rio Purus. Antes de serem soltos, os animais foram recepcionados pela comunidade de Itapuru, onde dezenas de crianças aguardavam ansiosamente com cartazes e músicas de boas-vindas.

Com a nova soltura, o Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia do Inpa devolve aos rios 22 animais. Coordenado pela pesquisadora do Inpa Vera Silva, líder do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA), o programa atua em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação científica entre o Inpa e a Universidade de Kyoto (Japão), e a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa). Também apoiam o programa a Agência de Cooperação Internacional (Jica), a Mistsuba e a Itochu

De Itapuru, os animais foram levados ao Lago do Trapinho, próximo à comunidade, e finalmente foram devolvidos aos rios amazônicos. Sete foram reintroduzidos no primeiro dia (1º de abril, Feriado da Páscoa) e os outros três na manhã do dia seguinte (02). Pelos próximos dois dias, biólogos do Inpa e do Japão vão monitorar os primeiros passos dos animais longe do lago.

Monitoramento

(Foto: Karen Canto/ INPA)

Uma das novidades deste ano é que pela primeira vez apenas cinco dos dez peixes-bois foram soltos sem o cinto de monitoramento (telemetria). Segundo a coordenadora do projeto, a pesquisadora do Inpa Vera Silva, isso foi feito com base em experiências anteriores que apresentaram sucesso significativo. “Foi verificado que os animais estão aptos a sobreviverem sozinhos na natureza”, garante. Outro êxito do trabalho é a volta do peixe-boi fêmea Anori (nome do município em que foi resgatada) estar voltando ao local de origem.

A pesquisadora acrescenta que desde o início do projeto, em 1974, quando o Instituto recebeu o primeiro peixe-boi, a ideia sempre foi de reabilitar e conduzir os animais de volta ao seu habitat. “A convivência faz com que você se apegue aos peixes-bois, uns mais que outros, mas o objetivo do projeto sempre foi esse, de trazê-los novamente à natureza”, conta.

Para o biólogo à frente do projeto, Diogo Souza, a operação foi um sucesso.

Etapas da liberdade

Os peixes-bois chegam ao Instituto filhotes e órfãos. Eles tiveram as mães foram capturadas e mortas por caçadores. Nos tanques do Bosque da Ciência do Inpa os animais ficam, em média, um período de 3 a 6 anos no cativeiro, onde são alimentados e acompanhados por veterinários, técnicos e tratadores. Ao atingirem a juventude, os peixes-bois são encaminhados para a fase seguinte, a de semicativeiro, um lago de piscicultura que fica localizado em uma fazenda de Manacapuru.

Longe dos tanques do Inpa, a autonomia dos animais no semicativeiro é maior. Nesta fase, em comparação à primeira, o contato com homem é cada vez menor. No lago, o peixe-boi passa a alimentar-se a maioria das vezes sozinho, em um local muito similar ao natural. A ideia é que o animal vá se familiarizando com o ambiente. O semicativeiro é a fase intermediária do projeto. Após essa fase de adaptação, a fase final é a de reintrodução dos peixes-bois à natureza, onde são soltos e monitorados por mais dois anos pelos especialistas do Inpa.

** Com informações do Amazônia.org