Planta amazônica pode ser solução para despoluir rios

(Foto: Natural Resources Wales)

O aguapé da Amazônia pode ser usado para despoluir os rios em todo o mundo, aponta novo estudo desenvolvido por pesquisadores britânicos publicado na revista Nature.

A Eichhornia crassipes é uma planta aquática flutuante, que produz flores azul-arroxeadas. Até recentemente era vendida como planta ornamental em lojas europeias de jardinagem, mas foi banida no continente pelo seu potencial nocivo.

Apelidado de “praga verde”, o aguapé é considerado uma espécie invasiva sem controle. Em São Paulo, por exemplo, várias represas estão com problemas de navegação e está parando turbinas de geração de energia no Rio Tietê.

Entretanto, o estudo revelou que, por meio da biorremediação, um processo em que organismos vivos são usados para recuperar áreas poluídas, o aguapé tem ótimos resultados.

O método foi testado em um trecho do rio Nant-y-Fendrod, em Swansea, no País de Gales. Durante 240 anos, a região foi uma produtora de cobre e cerca de 7 toneladas de material tóxico foi abandonada no Vale e acabou no rio.

O professor e coautor do estudo, Parvez Haris, disse à BBC Brasil, que “desde 1961, as autoridades locais tentam remover os dejetos, mas a água continua contaminada”, com substâncias como zinco, cádmio e níquel.

Em um primeiro momento da pesquisa, no laboratório, os cientistas usaram água sintética com a presença de 4,5 miligramas por litro de zinco. Após sete horas na água, o aguapé removeu 50% do metal e, após três semanas, absorveu 90%.

No terceiro estágio, foram colocadas gaiolas na água com a planta. Em apenas alguns segundos, o aguapé removeu 10% do zinco e 15% do cádmio presente no rio.

No experimento final, a água do rio foi transferida, por meio de canos, para tanques. Em segundos, cerca de 4% do zinco e 5% do cádmio haviam sido removidos da água. O mesmo ocorreu com vários outros metais, entre eles, manganês, arsênico e chumbo.

O experimento deve chegar em breve no Brasil. Parvez Haris está buscando formar uma parceria com pesquisadores do Brasil para testar a técnica em grande escala em rios do país.

** Com informações da BBC Brasil