Brasil precisa investir mais de R$260 bi em reciclagem

(Foto: Pixabay)

Para melhorar a destinação final dos resíduos sólidos e a operação de reciclagem, o Brasil precisa investir mais de R$260 bilhões até 2031. O cálculo foi apresentado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) nesta segunda-feira (10).

De acordo com o estudo realizado em parceria com a consultoria GO Associados, é preciso um investimento de R$11,6 bilhões até 2031 para criar uma infraestrutura universal e adequada para a destinação final de resíduos sólidos e R$15,59 bilhões por ano (R$249,4 bilhões) para a operação e manutenção das unidades de reciclagem que serão construídas.

Apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos estar em vigor no Brasil há sete anos, o país investe, em média, 2,2% do PIB em infraestrutura e saneamento. Para expandir a atuação de agentes públicos e privados, ainda são necessários ajustes e acordos setoriais para criar um programa de reciclagem eficaz e que englobe toda a cadeia de produção e a sociedade.

Para o presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, os investimentos com resíduos sólidos ainda não saíram do papel por dependerem do orçamento dos municípios e não serem administrados corretamente.

Se cada cidadão pagasse R$6,50 por mês, seria o suficiente para que os municípios pagassem o custo operacional para universalizar a destinação final adequada dos resíduos sólidos, estima a Associação. Porém 65% das cidades não possuem taxa pelo serviço de limpeza urbana e 35% cobram erradamente.

“Existe receio político de implementar, mas o setor e as prefeituras chegaram a um ponto em que essa decisão deve ser tomada, ou não teremos serviço básico em curto prazo. Sem recursos para o projeto, haverá colapso no setor”, explica o presidente da Abrelpe.

Para atingir a meta de ter 23% dos resíduos secos reciclados, já existem propostas das indústrias. Porém para criar um acordo comum ainda existem pontos controversos, como a periculosidade de uma classe de produtos eletrônicos descartados durante a coleta, separação e transporte, e a implantação da taxa de resíduos sólidos nas notas fiscais, que precisam ser resolvidos.

** Com informações do jornal Valor Econômico