Lixo urbano: O que eu tenho a ver com isso?

(Foto: Reprodução)

A cada dia produzimos mais lixo e o custo para recolha e destinação também aumenta. Em 2016, teremos eleições municipais e seria bom que os candidatos começassem a pensar em alternativas econômicas e sustentáveis para tratar o lixo.

Políticas públicas utilizam modernas formas de tratamento do lixo orgânico com o controle rígido de aterros sanitários. O que nos chama a atenção é a falta de competência de nossa sociedade no tratamento do lixo reciclável.

Sabemos que não é possível termos uma política única do setor para os milhares de municípios brasileiros, mas o que não se compreende é que as grandes cidades não tratam a questão como ela deveria ser: uma atividade comercial sustentável.

Tomamos como exemplo a cidade de São Paulo, com seus milhões de habitantes produzindo lixo em larga escala e com uma política de reciclagem que não contribui minimante para equacionar o problema, seja na questão econômica, pois tratar lixo custa caro, seja no aspecto ambiental.

Vamos aos números: a cidade tem hoje 21 centrais de triagem com 1.200 pessoas trabalhando através de cooperativas conveniadas. Dos seus 96 distritos, 75 possuem alguma forma de coleta seletiva, sendo que quase 2 mil condomínios contribuem de forma voluntária. A meta da atual administração é tratar 10 por cento do lixo reciclável até 2016.

O modelo de gestão do lixo na cidade de São Paulo é o de concessão publica e as falhas acontecem em todas as fases do processo, da coleta ao modelo de reciclagem. Por determinação legal cabe a cooperativas realizar a triagem. Do ponto de vista social proporciona emprego e renda promovendo a inclusão social de moradores de rua que se dedicam a atividade, mas temos que evoluir e nos modernizar. Não é possível a coleta primaria na cidade ser feita como é hoje, saquinho por saquinho, casa por casa.

Em algumas das grandes cidades do mundo, o sistema de contêineres já é adotado e cabe ao morador separar o lixo orgânico do seco. Podemos tratar a reciclagem como um negócio com a inclusão de empresas privadas, que tem a capacidade gerencial e produtiva. O modelo de cooperativas poderia muito bem ser aperfeiçoado com a inclusão de mais pessoas no processo de triagem e nas demais fases da cadeia de reciclagem. Talvez com medidas ousadas o lixo deixe de ser um problema ambiental e passe ser uma solução econômica. Lixo não falta.