Emissões dos incêndios na Austrália se igualam à Amazônia

(Foto: 2020 Maxar Technologies/ Divulgação via Reuters)

Os incêndios florestais na Austrália emitiram 370 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) de setembro a 6 de janeiro, de acordo com o Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copérnico (CAMS), do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

A quantidade das emissões de gases de efeito estufa causadas na Austrália está próxima de atingir o mesmo patamar das queimadas na Amazônia, que registrou 392 milhões de toneladas de gases entre janeiro e 15 de novembro de 2019.

Entretanto, especialistas afirmam que comparar os dois incêndios é um erro e pode politizar o tema, devido às diferentes dinâmicas do fogo, o tipo de vegetação e como as queimadas iniciaram.

“Houve queimadas relacionadas ao desmatamento no Brasil, enquanto que a Austrália é um país que tem um habitat de fogo (natural), então o fogo é parte do ecossistema”, explica Mark Parrington, um cientista do CAMS na Inglaterra.

Desde 2010, a média anual de emissões relacionadas a incêndios no país emitiu 440 milhões de toneladas de CO2. O recorde foi registrado em 2011 com 916 milhões de toneladas emitidas.

Mudança climática

Cientistas criticaram a atuação do primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, que tenta minimizar a influência das mudanças climáticas nos incêndios.

Segundo os cientistas, o aquecimento global está tornando os eventos climáticos extremos, como estiagens e ondas de calor, mais intensos e mais prováveis.

“Eles são um prenúncio do que está por vir. Estes são os efeitos que estamos vendo em um mundo cuja temperatura média subiu para 1,1 ºC acima da média pré-industrial”, afirma Adam Hodge, que trabalha para o Programa Ambiental das Nações Unidas.

O especialista explica que combater às mudanças climáticas ajudaria a evitar catástrofes, como os incêndios.

Protesto

Milhares de manifestantes foram as ruas de Sidney para pedir a saída do primeiro-ministro. Ele é criticado pela falta de ação e de compromisso contra à mudança climática.

“Esperamos que o Governo decida gerir os fogos florestais de uma maneira diferente, porque estes estão a mudar. Espero que seja um alerta para que eles mudem a política climática, admitam a verdade de que estamos numa emergência climática e tentem reduzir as emissões a zero, rapidamente”, disse um dos manifestantes.

** Com informações da Deutsche Welle e da Euronews