Para Obama, “energia limpa está em momento irreversível”

(Foto: Aluísio Moreira/ SEI)

Faltando 10 dias para terminar seu mandato de oito anos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu um dos argumentos presente na sua política climática: o investimento em energia limpa.

No artigo publicado na Revista Science, Obama afirmou que o uso de energia renovável está em um “momento irreversível” e pediu que as questões políticas sejam colocadas de lado para que evidências econômicas e científicas sejam levadas em consideração.

O artigo também foi uma tentativa de pressionar o presidente eleito Donald Trump a manter as políticas de energia limpa criadas por Obama, como o estabelecimento de metas para a redução de gases de efeito estufa e os incentivos a geração de energia renovável, como a solar e a eólica.

A principal preocupação é que o novo governo republicano reverta as políticas americanas sobre mudanças climáticas, especialmente após Trump declarar que não acredita em aquecimento global e ter renovado o foco na produção de combustíveis fósseis, abrindo mais terras federais para perfuração de petróleo, gás e mineração de carvão.

Obama fundamentou seus argumentos com quatro razões, em que mostra que a economia sustentável vai continuar e a tendência é crescer:

  • Economia cresce, emissões caem: Segundo o democrata, o investimento em ações que mitiguem os gases de efeito estufa mostrou que o crescimento econômico não é afetado, “ao contrário, pode impulsionar a eficiência, a produtividade e a inovação”.

De acordo com o artigo, as emissões de CO2 do setor de energia caíram 9,5% de 2008 a 2015, enquanto a economia cresceu 10% no período. O presidente também destacou avanços em eficiência energética. A quantidade de energia consumida para a produção de US$ 1 do Produto Interno Bruto caiu quase 11% no período, enquanto a quantia de CO2 emitida por unidade de energia consumida caiu 8% e a quantidade do gás de efeito estufa emitido por dólar do PIB reduziu 18%.

“Esta ‘dissociação’ das emissões do setor energético e do crescimento econômico deveria pôr fim ao argumento de que o combate às alterações climáticas exige a aceitação de um menor crescimento ou de um nível de vida mais baixo”, afirma, rebatendo o principal argumento de Trump para não lidar com a questão.

Obama também ressaltou que “qualquer estratégia econômica que ignore a poluição por carbono irá impor grandes custos à economia global e resultará em menos empregos e menor crescimento econômico a longo prazo”.

  • Redução das emissões no setor privado: “Além do caso macroeconômico, as empresas estão chegando à conclusão de que a redução de emissões não é apenas boa para o meio ambiente, mas também pode aumentar os lucros, reduzir os custos para os consumidores e oferecer retornos para os acionistas”, continua Obama.
  • Forças de mercado no setor elétrico: A substituição do carvão pelo gás natural em grande parte do setor elétrico também foi mencionada pelo presidente.

“Como o custo da nova geração de eletricidade usando gás natural deverá permanecer baixo em relação ao carvão, é improvável que as concessionárias mudem de rumos e optem por construir usinas de carvão, o que seria mais caro do que as usinas de gás natural, independentemente de mudanças de longo prazo na política federal”, escreve, em referência à promessa de Trump de desmantelar o Plano de Energia Limpa.

  • Momento Global: O democrata também ressaltou o momento mundial de energia limpa, principalmente após a entrada em vigor do Acordo de Paris, no ano passado.

“É um bom negócio e uma boa economia liderar uma revolução tecnológica e definir as tendências do mercado. A mais recente ciência e economia fornecem um guia útil para o que o futuro pode trazer”, concluiu.

** Com informações do jornal Estado de S.Paulo