Relatório contradiz o Ministério de Minas e Energia sobre uso maior de fontes de energia poluentes

(Foto: Jornal Público de Portugal)

Mais de 70% dos investimentos previstos entre 2013 e 2022 devem ser feitos em fontes com altas emissões de gases de efeito estufa, mais intensiva em carbono, por causa do aumento da dependência de combustíveis fósseis, segundo análise do World Resources Institute (WRI), em seu relatório Oportunidades e Desafios para Aumentar Sinergias entre as Políticas Climáticas e Energéticas no Brasil.

A análise foi feita a partir das informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia e pela Empresa de Pesquisa Energética, pelos professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, Oswaldo Lucon, a coordenadora de projetos de clima no WRI Brasil, Viviane Romeiro e a diretora do Open Climate Network, Taryn Fransen. Ao todo, está estimada a alocação de US$ 500 bilhões no período .

De 2005 a 2011, a poluição caiu 74%, segundo o governo. Por outro lado, as emissões do setor de energia cresceram 24% no mesmo período, após terem registrado aumento de 44% na década anterior (de 1995 a 2005). Para reverter a tendência, os pesquisadores ressaltam a importância de aumentar a eficiência e buscar alternativas menos poluentes para o setor de transportes e projetos de mobilidade urbana, que prevejam ações para restringir o uso dos carros.

O investimento em geração de energia por meio de fontes limpas, como solar e eólica, é outro ponto abordado pelo relatório. De acordo com o documento, há grande espaço para expansão nessa área, inclusive na questão do desenvolvimento tecnológico.

O que diz o governo

O Brasil continuará baseando sua expansão energética nas fontes renováveis nos próximos dez anos. A geração de energia elétrica deve ser ampliada em 73 mil MW (megawatts) até 2024, com metade desta expansão baseada em fontes renováveis: eólica, solar, biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

O PDE estima que em 2024 cerca de 84% da potência instalada no Sistema Interligado Nacional (SIN) seja dessas fontes, respondendo por 11,5% da capacidade instalada em 2024 (ou 23,9 mil MW). A energia solar pode alcançar  7.000 MW ao fim do horizonte decenal (ou cerca de 3% na capacidade instalada total). Nos leilões promovidos ao longo de 2014 foram comercializados 1.048 MWp de potência pico, enquanto em 2015 já foram contratados mais 1.044 MWp.

Petróleo

De acordo com o PDE, em 2014 a produção de petróleo deve chegar a 5 milhões de barris por dia (bpd), com exportações de 2 milhões de bpd. A matriz energética brasileira deverá atingir 45% de participação de fontes renováveis em 2024, patamar bem superior à média mundial de 13,5% ou dos países da OCDE, de cerca de 9%.

Veja o PDE 2024.