Estados criticam forma que governo federal lidou com as manchas de óleo

(Foto: Ibama/ Sergipe)

Representantes dos estados do Nordeste voltaram a criticar a demora para agir e a falta de transparência do governo federal sobre as manchas de óleo no litoral brasileiro, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga a tragédia ambiental na Câmara dos Deputados.

O secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Antônio Bertotti Júnior, ressaltou que o governo levou mais de um mês para tomar as primeiras providências.

“A primeira medida do governo federal foi um despacho do presidente, publicado no dia 5 de outubro, pedindo que em 48 horas se tomassem as providências para identificar o responsável pelo vazamento. Mas isso foi 37 dias depois do primeiro toque, provavelmente depois de muitas imagens fortes que chegaram de Sergipe, onde o óleo era espesso”, avaliou.

O diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte, Leonlene de Sousa Aguiar, reclamou da falta de transparência, informações e respostas por parte do governo federal.

O secretário do Meio Ambiente da Bahia, João Carlos Oliveira da Silva, disse que a sensação era de “enxugar gelo” ao narrar os esforços do estado para limpar as praias poluídas com o óleo.

Para o deputado Daniel Silveira, a Marinha direcional pessoal e equipamentos quando foi acionada, mas o plano de contingência não funcionava para esse tipo de ação, porque a situação foi única no planeta.

Desde que as manchas surgiram, diversas hipóteses foram levantadas e até uma operação da Polícia Federal foi deflagrada. Silveira disse que os investigadores ainda “mantêm a tese de que o derramamento ocorreu a 700 quilômetros da costa brasileira”, o óleo afundou, teve as suas propriedades alteradas, e por isso, as manchas são indetectáveis.

As primeiras manchas de óleo começaram a ser encontradas no final de agosto. Desde o dia 02 de setembro, a poluição contaminou 1.009 praias em todos os estados do Nordeste e em pontos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Cerca de 4.500 toneladas de resíduos foram coletadas nas praias e 434 localidades ainda seguem com vestígios esparsos.

Até o momento, o responsável pelo derramamento de óleo não foi encontrado. Em nota, a Marinha disse que segue trabalhando em diversas linhas de investigação, com apoio nacional e estrangeiro.