Estados Unidos continuam no caminho das metas do Acordo de Paris

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Um estudo divulgado, nesta terça-feira, revelou que apesar das tentativas do presidente Donald Trump para desmontar a política ambiental dos Estados Unidos, as políticas de mitigação climática foram fortalecidas em níveis subnacionais e nas empresas.

De acordo com o relatório Americas’s Pledge, o setor de eletricidade vive o seu “ponto de virada” da transição energética, mesmo com atrasos em projetos em decorrência da pandemia. As energias do sol e do vento tiveram crescimento rápido, com forte geração de empregos, preços cada vez mais competitivos, mesmo sem subsídios, e com fundamentos econômicos mais consistentes do que as fontes fósseis.

As concessionárias de energia começaram a implementar um plano de descarbonização direta, ao invés de fazer uma transição energética. Há quatro anos, apenas um estado e 22 cidades havia se comprometido a ter energia elétrica 100% renovável. Em 2020 são 16 estados e 130 cidades. Isso significa que cerca de 33% da população dos Estados Unidos vive em uma jurisdição que será alimentada por energia 100% limpa até o final desta década.

O documento destaca que a energia limpa tem conquistado apoio bipartidário. Arizona, Flórida, Texas e Virgínia, redutos tradicionais dos republicanos, aumentaram suas metas de energia limpa desde a eleição de Trump.

Além de eletricidade, a pesquisa analisou outros quatro setores com as maiores oportunidades de redução de emissões nos EUA até 2030: transporte, metano e hidrofluorocarbonetos (HFCs) e edificações. O nível de confiança no cumprimento das metas em quatro desses segmentos cresceu, exceto em “edificações”, para o qual o nível de confiança foi apenas mantido.

“Apesar da decisão do presidente de se afastar do Acordo de Paris, e apesar de quatro anos de retrocessos ambientais e negação do clima por parte do governo federal, o último relatório mostra que cidades, estados e empresas continuam a progredir trabalhando em conjunto e liderando de baixo para cima. Poderíamos fazer muito mais, muito mais rápido, com a liderança da Casa Branca – e é por isso que a eleição de novembro é a mais importante na luta contra a mudança climática”, avalia Michael R. Bloomberg, co-presidente da America’s Pledge e fundador da Bloomberg Philanthropies e da Bloomberg LP.

Segundo o relatório, um conjunto de fatores manteria o país no rumo da mitigação das emissões de “transporte” e “metano”, com destaque para os compromissos de cidades e estados de eletrificar o transporte e reduzir os níveis de emissões para veículos médios, pesados e leves.