Fraude ambiental da VW – engenheiros admitem erro e investidor quer indenização

Notícia no Portal G1, deste domingo, informa que: os engenheiros da gigante alemã Volkswagen reconheceram sua responsabilidade na manipulação de motores a diesel revelada há duas semanas, divulgou o jornal alemão “Bild” neste domingo (4).

Os serviços encarregados da investigação interna do caso, que causou um escândalo mundial, “receberam as primeiras confissões”, diz o jornal, sem revelar suas fontes.

“Engenheiros declararam que instalaram em 2008 o software destinado a alterar dados dos testes de contaminação”, assinala o jornal.

A Volkswagen reconheceu que equipou o motor de 11 milhões de carros com este programa. A montadora atribuiu a responsabilidade a “um pequeno grupo de pessoas”, e suspendeu funcionários. A imprensa cita uma dúzia de nomes, entre eles o do chefe de pesquisa e desenvolvimento de sua filial Audi.

As confissões ouvidas até agora não permitiram identificar quem sugeriu a instalação do software, assinala o Bild. Segundo estes engenheiros, era tecnicamente impossível fabricar o motor EA 189, desenvolvido pela Volkswagen em 2005, respeitando os limites de emissão de gases poluentes e as exigências de custos. Só na Alemanha, cerca de afetados 2,8 milhões de veículos.

Mais problemas legais

Um investidor privado a partir de Baden-Württemberg entrou com uma ação de indenização no Tribunal Distrital de Braunschweig, um porta-voz da corte disse que na sexta-feira a agência de imprensa alemã. A indenização individual é de 20 mil euros.

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Conselho Fiscal reúne novamente na quarta-feira

O escândalo de escape vai empregar novamente depois de informações da agência de imprensa alemã também do conselho de supervisão da VW. Na quarta-feira (7 de outubro), o Comitê de Fiscalização – com 20 membros – irá novamente farão uma reunião de emergência em Wolfsburg. Um dia antes, haverá uma reunião da equipe com os empregados da VW.

Leia aqui , a matéria completa do jornal Bild .

Cronologia do caso:

2004-2007 – EUA endurecem padrões
O governo dos Estados Unidos endurece os padrões para emissão de óxido de nitrogênio (NOx), um dos principais poluentes resultantes da combustão do óleo diesel. Na época, as autoridades reconheceram que os novos níveis seriam difíceis de serem cumpridos.

2009 – Volkswagen anuncia carros com diesel limpo
A Volkswagen começa as vendas dos modelos de carros diesel que possuem um sistema diferente para cumprir regras de poluentes. Esses motores, chamados EA 189, dispensam o uso de ureia na mistura de gases e água, que ajuda a amenizar o efeito nocivo do óxido de nitrogênio, recurso mais comumente usado por outras montadoras.

2013 – Dados não batem
O baixo nível de emissões de veículos daVolkswagen com motor a diesel chama a atenção de um grupo independente, o Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, em inglês), que decidiu estudar o sistema para mostrar como o diesel poderia ser um combustível limpo, junto com a Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos. Eles começaram a analisar 3 carros: um Jetta 2012, um Passat 2013 e um BMW X5, rodando por cerca de 4.000 km entre a Califórnia e o estado de Washington. E constataram discrepâncias entre o nível de emissão observado e os números dos testes oficiais dos modelos da Volkswagen.

2014 – Governo dos EUA é alertado
O ICCT e a Universidade de West Virginia alertam a Agência de Proteção Ambiental (EPA), do governo federal, e o conselho de emissões da Califórnia (CARB) sobre a descoberta. Na época, A Volkswagen afirmou que estudo era falho e culpou questões técnicas para os resultados. Mesmo assim, a empresa realizou um “recall branco” (quando não há obrigatoriedade e risco à segurança) de 500 mil carros nos EUA, prometendo resolver o caso, mas sem sucesso. A CARB e a EPA continuaram a tentar encontrar o motivo das diferenças de dados em laboratório e nas ruas.

2015 – Software é descoberto
A EPA descobre que um software instalado na central eletrônica dos carros da Volkswagen altera as emissões de poluentes nesses veículos apenas quando são submetidos a vistorias. O dispositivo rastreia a posição do volante, a velocidade do veículo, quanto tempo está ligado e a pressão barométrica, baixando os poluentes emitidos. Em condição normal de rodagem, os controles do escape são desligados e os carros poluem mais do que o permitido.

18 de setembro de 2015 – Volkswagen é acusada
O governo dos Estados Unidos acusa a Volkswagen de burlar os dados de emissões de gases poluentes a fim de atender à regulamentação do país, e abre um processo criminal. Segundo a EPA, 482 mil veículos com motores a diesel violaram os padrões federais, entre eles Jetta, Beetle (chamado de Fusca no Brasil), Golf, Passat e o Audi A3 –da marca que pertence ao grupo Volkswagen. Os veículos foram fabricados entre 2009 e 2015.

20 de setembro de 2015 – Montadora se desculpa
O presidente-executivo da Volkswagen, Martin Winterkorn, divulga nota se desculpando pela má prática. “Pessoalmente e profundamente lamento muito que tenhamos quebrado a confiança de nossos clientes e do público. A Volkswagen não tolera nenhuma violação, nem de leis, nem de normas”, declarou.
21 de setembro de 2015 –  ‘Ferramos tudo’, diz CEO
“Ferramos tudo. Nossa empresa foi desonesta”, afirma o presidente da Volkswagen nos EUA, Michael Horn, durante o lançamento do Passat, em Nova York.

22 de setembro de 2015 –  Fraude envolve outros países
A empresa admitiu que um dispositivo que altera resultados sobre emissões de poluentes não foi usado apenas nos EUA, mas em 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo, em modelos de várias marcas pertencentes ao grupo. No entanto, não diz quais são os carros, nem em que países eles estão. Winterkorn torna a pedir desculpas, agora em um vídeo divulgado pela montadora.

23 de setembro de 2015 – ‘Chefão’ renuncia
Martin Winterkorn renuncia ao cargo de presidente-executivo e pede demissão da Volkswagem. No entanto, diz que não tem ciência de nenhum erro de sua parte. O Conselho  empresa também diz que Winterkorn “não tinha conhecimento da manipulação de dados de emissões”.

24 de setembro de 2015 – Europeus vão refazer testes
O governo alemão diz que o país tem carros com motor 1.6 e 2.0 a diesel que possuem o software e que pretende refazer os testes de emissões de forma aleatória. França e Reino Unido também anunciam medidas semelhantes.